Norte tem alagamentos enquanto Centro-Oeste entra em estiagem

Foto: Pixabay.

A previsão do tempo desta sexta-feira (29) traz um mapa de extremos climáticos brutais que exige tomadas de decisão rápidas de norte a sul do país. Enquanto o topo do mapa do Brasil enfrenta uma situação de calamidade pública devido a enchentes avassaladoras que causam prejuízos diretos na atividade de cria, o Centro-Oeste e o Sudeste veem o avanço rápido da estiagem.

No entanto, os modelos meteorológicos de médio prazo revelam uma última janela de umidade em junho, que deve ser aproveitada de forma estratégica na fazenda.

Alerta de calamidade: Normandia (RR) e o extremo Norte

A atuação persistente e agressiva da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) transformou o norte de Roraima em uma zona de desastre logístico e produtivo. O município de Normandia (RR) já extrapolou todas as médias climatológicas locais, registrando mais de 300 milímetros acumulados apenas em maio, com previsão de receber mais 100 milímetros extras nos próximos dias.

O excesso de água provocou alagamentos severos em fazendas e lavouras. Há relatos oficiais de morte de bovinos por afogamento e hipotermia após lotes inteiros ficarem ilhados pelas enchentes.

A rodovia BR-401 chegou a ficar totalmente interditada devido à força das águas, deixando mais de 16 mil pessoas isoladas no extremo norte. O escoamento de carretas boiadeiras na região ficou completamente paralisado, travando as escalas dos frigoríficos.

Pantanal: Corumbá (MS) entra na janela do cocho

Na maior planície alagável do mundo, o cenário já é de transição acelerada para a estiagem.

O monitoramento aponta a chegada de uma onda de frio por volta do dia 7 de junho. No entanto, as mínimas devem recuar apenas até os 16°C a 17°C. Como o termômetro não desce abaixo dos 12°C, o gado pantaneiro não sofrerá com estresse térmico ou quebra brusca de imunidade.

A previsão indica míseros 32 milímetros para os próximos 30 dias em Corumbá. Com as pastagens nativas secando rapidamente e perdendo proteína, o invernista precisa ligar os motores do trato e investir pesado em suplementação proteico-mineral de seca para o gado não perder peso.

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Uruguaiana (RS): outono firme na Fronteira Oeste

No extremo sul, a retaguarda de um cavado meteorológico (sistema de baixa pressão) mantém o tempo limpo, seco e estável. O final de semana será de sol firme e ar seco na Fronteira Oeste, sem previsão de massas polares extremas no curto prazo.

As máximas oscilam de forma confortável entre 19°C e 20°C, com as madrugadas registrando mínimas tranquilas para a época, entre 10°C e 14°C, favorecendo o pastoreio nas invernadas de azevém e aveia.

O “último suspiro” do outono: chuva de junho

Os mapas de médio prazo acendem uma luz de esperança para quem precisa fixar a última adubação de cobertura do capim ou salvar o milho safrinha tardio. Entre os dias 8 e 12 de junho, um novo sistema frontal conseguirá romper os bloqueios atmosféricos que atuam na faixa central do país.

O corredor de umidade vai cruzar o norte do Paraná, o sul de São Paulo e o centro-sul de Mato Grosso do Sul.

Será uma chuva passageira de 20 a 30 milímetros, classificada como o “último suspiro” de umidade antes da instalação definitiva do inverno seco. O produtor deve planejar o uso desse pulso, pois a tendência posterior é de estiagem total e poeira alta nos currais.

Orientação ao produtor

  1. Salvaguarda de vidas em Roraima: o foco no extremo norte deve ser total na segurança do rebanho. Retire imediatamente os lotes de animais das áreas de baixada e mova as matrizes e bezerros para as partes mais altas das fazendas. O gado debilitado pelo excesso de água precisa receber suporte mineral reforçado para combater o estresse e a hipotermia.
  2. Aproveite o pulso hídrico no Centro-Sul: se a sua propriedade está na rota da chuva do dia 8 de junho (sul de MS, SP e norte do PR), use os dias ensolarados que antecedem a frente fria para limpar os bebedouros e fazer revisões de escoamento. Esse volume de até 30 milímetros será a última oportunidade para o nitrogênio em cobertura penetrar no solo antes do início do inverno seco.
  3. Ronda Sanitária contra o barro: no Norte, o acúmulo de umidade exige vistorias rigorosas nos cascos do gado para evitar surtos de pododermatites. No Centro-Oeste, faça o inverso: com a secura de Corumbá e do Brasil Central, limpe as praças de TIP e confinamento para mitigar os problemas respiratórios causados pela poeira fina.

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