TIP impulsiona pequenos pecuaristas e fortalece produção de carne em Rondônia

Foto: Divulgação.

O Giro do Boi desta quarta-feira (27) destacou o crescimento da pecuária intensiva no Norte do país com informações do curso TIP Brasil 2026.

Em entrevista ao repórter Marco Ribeiro, o gerente regional de originação da Friboi em Rondônia, Rogério Lima, enfatizou o papel revolucionário da TIP (Terminação Intensiva a Pasto) no estado.

Confira:

Números da pecuária em Rondônia

Dados da Embrapa apontam que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de Rondônia deve alcançar a marca histórica de R$ 30 bilhões em 2026, sendo que mais da metade desse montante (51% da receita) provém da atividade pecuária.

Com um rebanho expressivo de 18 milhões de cabeças de gado distribuído em pouco mais de 113 mil propriedades rurais, o estado vive uma forte migração dos sistemas extensivos para os projetos intensivos. A TIP se consolidou como o motor dessa transformação, impulsionando os pequenos produtores e fortalecendo a cadeia da carne rondoniense de forma altamente sustentável.

A democratização da TIP nas pequenas propriedades

A estrutura fundiária de Rondônia é caracterizada pelo predomínio de pequenas e médias propriedades rurais. É exatamente nessa realidade que a TIP atua como uma ferramenta de inclusão tecnológica e social.

Antes da chegada do sistema, o pequeno pecuarista estava condenado a realizar apenas a recria, sendo obrigado a vender o boi magro para grandes invernistas. Com a TIP, ele precisa apenas de uma linha de cocho no pasto e ração formulada para terminar seu próprio gado, embolsando o lucro do acabamento final.

Como reflexo dessa estrutura de agricultura familiar, a unidade da Friboi em São Miguel do Guaporé (RO) destaca-se nacionalmente como a planta que mais adquire “lotes picados” (pequenas quantidades de animais de diversos produtores). O “capricho” do pequeno produtor na TIP eleva o peso da carcaça e entrega o acabamento exigido pelo mercado externo.

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Expansão vertical: 18 milhões de cabeças e desmatamento zero

O avanço produtivo de Rondônia obedece a uma dinâmica de sustentabilidade rígida, provando que é possível aumentar o desfrute do rebanho preservando os recursos naturais.

O crescimento do rebanho para 18 milhões de bovinos ocorre por meio da expansão vertical. O investimento em pastagens e nutrição permite colocar mais animais por hectare, acelerando o giro financeiro sem a necessidade de abrir novas áreas de vegetação.

A eficiência do campo abastece plantas frigoríficas de grande porte. A unidade de Vilhena (RO) abate atualmente 1.900 animais por dia, enquanto a planta de São Miguel do Guaporé opera com um ritmo de 1.100 cabeças diárias.

Integração perfeita: o cocho sustentando a lavoura de grãos

A consolidação dos sistemas intensivos de produção colocou fim à antiga rivalidade entre pasto e lavoura no estado, criando um ciclo comercial virtuoso de forte sinergia.

Atualmente, entre 80% e 90% de todo o milho e grãos produzidos pelas lavouras de Rondônia são consumidos dentro do próprio estado, abastecendo diretamente os cochos da pecuária de corte.

O incremento da TIP garantiu um comprador doméstico robusto para o setor agrícola rondoniense. Isso reduziu a dependência das fazendas de grãos em relação ao dispendioso escoamento logístico para exportação, valorizando o milho local.

O efeito do verde: betacaroteno e a qualidade da carne

Além dos expressivos ganhos zootécnicos, a terminação intensiva a pasto entrega diferenciais de qualidade organoléptica (sabor e aparência) que valorizam o produto final.

Ao associar o concentrado energético do cocho com o consumo voluntário de capim, o animal absorve o betacaroteno presente na forragem verde. Esse composto atua diretamente na gordura de cobertura e no marmoreio, fixando um sabor característico, tenro e muito demandado pelo consumidor moderno.

Rondônia desenha o modelo ideal da pecuária do século XXI: rústica no clima abençoado de chuvas, mas cirúrgica no uso da tecnologia. A TIP provou ser a ferramenta mais democrática do campo, permitindo que o pequeno produtor do interior lapide sua boiada com a mesma eficiência de um megaconfinamento, gerando renda e fixando as famílias na terra com alta sustentabilidade.

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