O Giro do Boi desta terça-feira (26) trouxe um alerta urgente para a pecuária nacional, especialmente para quem depende de boas áreas de pastagens para alimentar o rebanho. O programa recebeu o engenheiro agrônomo, consultor e escritor Wagner Pires, uma das maiores referências em pastagens do país.
Com mais de 40 anos de experiência de campo, o especialista deu total ênfase à principal manchete do dia: a alta probabilidade de um impacto severo do fenômeno El Niño neste ano.
Sob a interferência climática desse fenômeno, a entressafra tradicional — que costuma durar de 4 a 5 meses — pode se estender por 6, 7 ou até mais meses de estiagem severa e calor prolongado. O agrônomo alertou que o planejamento antecipado é a única saída para evitar a degradação total do pasto, a perda de desempenho do gado e a explosão nos custos de produção.
Confira:
Manejo de choque: nutrição foliar e enraizamento de emergência

Para que o capim sobreviva aos longos meses de estiagem e tenha uma resposta rápida no retorno das chuvas, o pecuarista precisa focar no sistema radicular da planta. O capim seca e morre porque não possui volume de raiz profundo o suficiente para acompanhar a descida da umidade no perfil do solo.
No final das águas, o produtor deve realizar uma pulverização foliar (com absorção imediata) à base de fósforo, nitrogênio e aminoácidos. Isso propicia um enraizamento robusto e garante tecidos de reserva na coroa da planta.
Wagner Pires destacou o uso do extrato da alga Ascophyllum nodosum (extraída no Canadá). Quando aplicada na transição para o período chuvoso, ela faz a planta explodir em rebrote, acelerando a pastagem imediatamente em vez de deixá-la “patinando” para crescer.
Estratégias de suplementação e volumosos para a estiagem
Diante do sumiço do capim gerado pelo El Niño, estocar comida de forma estratégica é o que vai salvar o bolso do pecuarista e o escore das matrizes. Devido ao risco de seca no início das chuvas, o sorgo deve ser priorizado, pois possui uma tolerância ao estresse hídrico muito superior à do milho safrinha.
O Capim Capiaçu (BRS Capiaçu) também é uma alternativa. A tecnologia de ponta da Embrapa entrega até 100 toneladas de matéria verde por hectare sem irrigação (e até 300 toneladas se for irrigado). É a reserva de ouro para produzir silagem barata.
O feno em rolos no campo também funciona como uma poupança prática. Já para propriedades em regiões produtoras de grãos com alta lotação de vacada, a solução é construir linhas de cocho definitivas e fornecer o WDG (coproduto úmido do milho), aproveitando a proximidade com as usinas locais para baratear a diária do trato.
Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!
O combate ao capim-capeta e os erros de manejo na seca

Respondendo às dúvidas dos telespectadores, Wagner Pires explicou a lógica do controle de plantas invasoras e alertou para não jogar dinheiro fora.
Segundo ele, não compensa tentar combater o capim-capeta (Sporobolus indicus) durante a estiagem por via foliar. Como a planta está em estresse e murcha, a folha não absorve o produto. “Você só consegue combater um ser vegetal quando ele está bonito, vistoso e com área foliar aberta”, ensina o agrônomo.
O especialista destacou o Targa Max, o primeiro produto do mercado desenvolvido pela Ihara (e testado pela Embrapa) com registro oficial para o controle do capim-capeta, que deve ser aplicado logo no início da rebrota das águas.
O período seco deve ser aproveitado exclusivamente para o controle de pragas duras (lenhosas), por meio da aplicação localizada direto no toco (após o corte) ou no caule (aplicação basal).
Prevenção contra incêndios
Com o calor extremo e os sete meses de seca previstos pelo El Niño, as pastagens viram um verdadeiro combustível para o fogo. A primeira medida da entressafra é fazer o aceiro ao redor de todas as divisas e corredores da propriedade.
É fundamental treinar a equipe, montar abafadores e tanques de água, além de estabelecer comunicação rápida com os vizinhos, pois o fogo não escolhe dia para entrar.
Workshop debate manejo de pastagens diante de possível Super El Niño
O engenheiro agrônomo, consultor e escritor Wagner Pires promove na próxima quinta-feira (28), às 20h (horário de Brasília), um workshop online sobre manejo de pastagens em cenário de seca prolongada.
Com o tema “Super El Niño: + de 6 meses de seca”, o evento será transmitido ao vivo e sem reprise. A proposta é apresentar estratégias para produção de pasto e conservação de alimento para o gado durante os períodos de estiagem.
O workshop será conduzido por Wagner Pires e pela jornalista Lilian Dias. Entre os temas previstos estão manejo de pastagem nas águas e na seca, formação de reserva alimentar, recuperação de áreas e planejamento da fazenda diante das previsões climáticas para 2026. A inscrição terá valor de R$ 14,90.
Serviço
- Evento: Workshop de Pastagem — “Super El Niño: + de 6 meses de seca”
- Data: 28 de maio de 2026
- Horário: 20h (Brasília)
- Formato: Online e ao vivo
- Inscrição: R$ 14,90
Para se inscrever, clique aqui ou utilize o QR Code abaixo:

News Giro do Boi no Zap!
Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.


