O quadro técnico de perguntas e respostas do Giro do Boi atendeu nesta terça-feira (26) ao telespectador Rivas Grein, da cidade de Lebon Régis, em Santa Catarina. Ele enviou uma dúvida muito frequente nos projetos de cria: quando a vaca pare com o escore de condição corporal (ECC) baixo, é possível reverter a situação e fazê-la engordar e reemprenhar na mesma estação de monta apenas arraçoando o animal?
A resposta foi dada pelo médico veterinário Guilherme Vieira, que trouxe um verdadeiro banho de realidade fisiológica e um alerta de manejo essencial para o produtor catarinense e para todos os criadores do Brasil que buscam salvar a sua safra de bezerros.
Confira:
A fisiologia da vaca parida: uma “bomba metabólica”
O médico veterinário foi enfático ao explicar que tentar engordar uma vaca que está dando de mamar é um dos maiores desafios biológicos da pecuária, e a resposta para a dúvida do produtor é um alerta: a conta metabólica simplesmente não fecha.
A vaca recém-parida funciona como uma “bomba metabólica”. Todo e qualquer nutriente que ela absorve através do capim ou do cocho (arraçoamento) é direcionado prioritariamente para a produção de leite para o bezerro e para a sua própria sobrevivência básica.
Como a exigência da lactação é gigantesca, sobra pouca energia para a deposição de gordura. Se a vaca pariu magra, ela tenderá a continuar magra, entrando em anestro (parada reprodutiva) por falta de reservas corporais. Tentar reverter o escore apenas com ração enquanto ela amamenta não trará o resultado esperado para a reprodução deste ciclo.
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O desmame como a chave da virada reprodutiva
De acordo com Guilherme Vieira, a recuperação real e o ganho de gordura na carcaça da matriz só vão acontecer de fato a partir de uma atitude drástica de manejo: a retirada da cria.
O desmame é a única solução definitiva para desligar a lactação. Sem a exigência de produzir leite, o requerimento nutricional da vaca cai pela metade. A partir desse momento, o capim e o arraçoamento finalmente começam a virar gordura na carcaça, elevando o escore corporal e preparando a matriz para reiniciar seu ciclo reprodutivo com sucesso no próximo ano.
Tratamento de choque para matrizes debilitadas
Enquanto o bezerro não atinge a idade de desmame, o produtor não pode deixar a matriz definhar. O veterinário recomenda um protocolo de recuperação imediata para dar suporte ao metabolismo esgotado do animal:
- Nutrição de alto consumo: o gado deve ser colocado em um pasto de excelente qualidade e receber no cocho um sal mineral proteinado de médio a alto consumo (programado para 0,3% a 0,5% do peso vivo).
- Mineralização com fósforo alto: por estar em lactação e com escore baixo, a exigência mineral é altíssima. É indispensável utilizar um sal mineral específico para cria com alta concentração de fósforo (90 a 120 g de fósforo por kg de produto).
- Suporte injetável: realizar a aplicação de suplementos injetáveis à base de aminoácidos, vitaminas e minerais. Esse suporte age como um “combustível direto na veia”, auxiliando o fígado e a homeostase da vaca parida.
O segredo da fertilidade é fazer a vaca parir gorda. Monitorar o escore do rebanho no terço final da gestação e caprichar na suplementação antes do nascimento do bezerro custa muito menos do que tentar recuperar uma matriz magra com leite no peito. Use o proteinado de transição, forneça fósforo alto no cocho e planeje o desmame para salvar a vida útil do seu patrimônio.
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