A estiagem está batendo na porteira e fazenda eficiente não pode ficar parada. O período de seca é o momento ideal para realizar a manutenção estrutural da propriedade, garantindo que tudo esteja pronto e funcional quando as chuvas retornarem.
As dicas de ouro foram apresentadas pelo engenheiro agrônomo Wagner Pires, pós-graduado na área de pastagens pela Esalq-USP, consultor do Circuito da Pecuária, autor do livro “Pastagem Sustentável de A a Z” e um dos embaixadores de conteúdo do programa.
Segundo o especialista, quando o crescimento do capim desacelera, o ritmo das reformas deve aumentar, sendo a época perfeita para investir no manejo estratégico e na infraestrutura da fazenda.
Confira:
O segredo da reforma e construção de cercas na seca
O agrimensor e o pecuarista experiente sabem que a entressafra é o melhor momento para trabalhar com as cercas da propriedade. Wagner Pires destaca que o resultado obtido neste período é muito superior ao das épocas chuvosas.
As cercas construídas ou reformadas na seca duram muito mais. Na estiagem, a madeira do palanque e do esticador assenta melhor no solo. O terreno seco e compactado confere muito mais firmeza às lascas e aos esticadores do que o solo encharcado e mole do período das águas.
Com o chão firme, a mão de obra rende mais, tornando-se a janela perfeita para projetar novas divisões de pasto e implantar sistemas de rotação de piquetes.
Praça de alimentação: piçarramento e ajustes nos cochos
O entorno dos cochos é uma área de tráfego intenso e persistente do gado. Se não for bem cuidada na seca, trará sérios prejuízos no período chuvoso.
O agrônomo orienta realizar o “piçarramento” (colocação de cascalho, brita ou terra firme) ao redor dos cochos de sal, proteinado e ração. Essa ação preventiva evita que a área vire um lamaçal nas águas, o que reduz drasticamente a incidência de problemas de casco no rebanho.
É o momento de revisar e consertar telhados de cochos cobertos, ajustar a altura das linhas de trato e ajeitar o caimento das porteiras de acesso às praças de alimentação.
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Logística e limpeza das pastagens (no toco)
Aproveitar o tempo firme da entressafra para ajustar a logística e eliminar a concorrência por nutrientes no solo dita a velocidade do ganho de peso do gado no próximo ciclo.
Passar a lâmina ou patrola nas estradas internas e corredores com o chão firme evita atoleiros no final do ano. Isso garante o tráfego ágil dos tratores de trato e o embarque rápido dos caminhões boiadeiros.
A seca é ideal para o combate cirúrgico de plantas invasoras lenhosas e semi-lenhosas. Wagner Pires recomenda realizar o corte rente ao solo e fazer a aplicação localizada de herbicida diretamente no toco. O controle químico nessa fase é altamente eficiente, garantindo que o pasto venha limpo e brote com força total nas primeiras chuvas.
O período da seca não é sinônimo de fazenda parada, é sinônimo de planejamento de inverno e investimento em infraestrutura. O pecuarista que usa a entressafra para ajeitar as cercas, reformar as estradas, limpar o pasto e organizar as praças de alimentação economiza tempo, protege a integridade da mão de obra e sai muito mais forte na frente da concorrência quando o próximo ciclo de chuvas começar.
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