O Giro do Boi desta segunda-feira (18) trouxe as diretrizes do Prof. Dr. Flávio Portela (ESALQ/USP), uma das maiores referências em nutrição animal do país, sobre as transformações no “cardápio do boi” na TIP (Terminação Intensiva a Pasto).
O pesquisador destacou que a expansão acelerada desse sistema está revolucionando a engorda no país e, como consequência direta, ampliando drasticamente a demanda por tecnologias de processamento de grãos.
Para elevar a densidade energética no cocho e garantir o ganho de peso eficiente, o produtor precisa ir além do milho seco moído tradicional, apostando em silagem de grão úmido, grão reconstituído (reidratado) e no uso massivo de coprodutos da indústria do etanol.
Confira:
A era do grão processado: maior eficiência nutricional
Para atender às exigências da TIP, o processamento do milho tornou-se a ferramenta número um dos nutricionistas para aumentar a digestibilidade do amido no rúmen do animal.
O milho colhido precoce/úmido encilhado ou o milho reconstituído (reidratado e ensilado) saltou para a liderança absoluta, sendo hoje a primeira opção de 36% dos formuladores de dieta no Brasil.
Portela ressalta que o milho produzido no Brasil responde muito melhor aos processos intensivos de quebra e digestibilidade do que o grão norte-americano, gerando um retorno econômico superior para o pecuarista.
Embora exija alto custo de estrutura, a floculação de grãos desponta como forte tendência de crescimento para projetos de grande escala que buscam o aproveitamento máximo da energia do grão.
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A explosão dos coprodutos de etanol
O avanço da TIP está intimamente ligado à oferta de coprodutos das usinas de etanol de milho e sorgo, que redesenharam o mapa da suplementação no país. O Brasil já produz de 5 a 6 milhões de toneladas de coprodutos secos (DDG) e úmidos (WDG).
Para 2030, a expectativa é que o volume injetado no mercado de alimentação animal salte para 11 milhões de toneladas, impulsionado pela projeção de 18 bilhões de litros de etanol de milho.
O DDG e o WDG entregam um combo proteico-energético pronto para o cocho, facilitando a logística do trato a pasto e blindando o produtor contra a volatilidade de farelos tradicionais.
O novo perfil do Nelore e o empate técnico no abate
A intensificação mudou a dinâmica dos abates no Brasil. As ferramentas de engorda intensiva a pasto (da TIP ao semiconfinamento) hoje batem de frente com o confinamento tradicional.
As projeções apontam um equilíbrio no país: cerca de 9,9 milhões de cabeças terminadas em cocho fechado contra 9,5 a 9,6 milhões de cabeças engordadas em sistemas de TIP e semiconfinamento.
avanço do melhoramento genético entregou um animal com carcaça e capacidade de ganho muito superiores. “Não é mais um boi para morrer de capim”, destaca o professor Portela. Para expressar seu potencial, o gado atual exige alta densidade energética, permitindo abates de animais de até 700 kg aos 24 meses.
O cardápio do boi moderno exige que o pecuarista saia do “feijão com arroz”. Casar o manejo correto da altura do capim com o grão processado e os coprodutos de usina é a fórmula exata para fazer a TIP entregar carcaças pesadas, bem acabadas e altamente lucrativas.
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