O Giro do Boi desta sexta-feira (15) recebeu o Dr. Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da APTA de Colina (SP) e uma das maiores autoridades em intensificação do país. O pesquisador afirmou que o cenário atual é de uma “oportunidade de ouro” para o pecuarista que utiliza a TIP (Terminação Intensiva a Pasto).
Com dados compilados de quase 10 milhões de cabeças engordadas no sistema, o especialista destacou que a combinação de grãos acessíveis, como o milho e o DDG, com o manejo estratégico do capim, permite ao produtor “construir prédios de arrobas” dentro da fazenda, maximizando o lucro por hectare.
Confira:
A democratização e a “verticalização” da fazenda
Dr. Gustavo ressalta que a TIP é a ferramenta mais acessível para o produtor que deseja intensificar a produção sem os custos fixos de um confinamento convencional. Diferente de grandes estruturas de cocho fechado, a TIP exige menos investimento em obras, sendo uma “rampa de entrada” para a pecuária profissional.
Diante da escassez de terras, o sistema permite a verticalização da produtividade. Enquanto um sistema conservador abate aos 30 meses, o uso da RIP (Recria Intensiva a Pasto) somada à TIP entrega animais de 21 arrobas aos 19 meses, multiplicando o lucro por área em até 4 vezes.
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O pasto como aliado do bolso: economia real
Um dos pontos mais importantes destacados pelo pesquisador é que o pasto não é apenas um “cenário”, mas um ingrediente ativo que barateia a conta do cocho. Estudos inéditos da APTA comprovam que, quando há oferta de capim de qualidade, o boi consome de 15 a 20 kg a menos de ração para produzir a mesma arroba.
Em um cenário com ração a R$ 1,60/kg, a dieta híbrida (concentrado + pasto) torna o ponto de equilíbrio extremamente favorável. Se o animal ganha entre 900g e 1kg de carcaça por dia, a lucratividade é garantida no mercado de 2026.
A revolução do DDG e dos coprodutos
O avanço das usinas de etanol de milho no Brasil criou uma oferta abundante de DDG (grãos de destilaria), que o Dr. Gustavo classifica como o novo “ouro da pecuária”.
Com quase 60 usinas em operação ou construção, o DDG barateia a formulação da dieta e pode ser usado desde o creep-feeding (suplementação de bezerros) até o acabamento final na TIP. O uso desses coprodutos permite janelas de engorda mais seguras e previsíveis, protegendo o pecuarista das oscilações de preço do milho padrão.
O momento de margem positiva não deve ser motivo para descuido, mas sim para profissionalização. A genética para abater animais jovens e pesados já está nas fazendas, mas precisa da nutrição intensiva para florescer. Como resume o pesquisador: “A TIP é um resort de luxo onde o boi não vai para a praia, ele vai para produzir carne de alta qualidade com o menor custo possível”.
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