Tratar o gado com respeito e racionalidade não é um mero capricho, mas um componente essencial para a eficiência produtiva. Em entrevista ao Giro do Boi, a Profª Dra. Fernanda Macitelli, referência nacional em Bem-Estar Animal, enfatizou que no sistema de TIP (Terminação Intensiva a Pasto), o conforto do rebanho é a base que sustenta o resultado econômico.
Segundo a especialista, o animal responde diretamente ao cuidado recebido, e ignorar o bem-estar significa permitir que o estresse “furte” a energia da dieta que deveria ser convertida em arrobas.
Confira:
Conforto térmico: onde a arroba se perde
Um dos pontos mais críticos abordados pela professora foi a termorregulação. Animais em sistemas intensivos, como a TIP, possuem um metabolismo acelerado que gera muito calor interno.
Quando o animal sofre com o sol forte e não tem acesso à sombra, ele gasta a energia da ração apenas para tentar se resfriar (ofegando ou suando). Essa energia consumida pelo estresse térmico deixa de ser transformada em ganho de peso e acabamento de carcaça, prejudicando o GMD (Ganho Médio Diário).
O investimento em sombreamento, seja natural ou artificial, é estratégico para garantir que o animal aproveite 100% do potencial nutricional do cocho.
Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!
Os três pilares inegociáveis do cocho
Para uma TIP ser verdadeiramente lucrativa e ética, Fernanda Macitelli lista três fatores fundamentais que o pecuarista deve monitorar diariamente:
- Água de qualidade: o bebedouro deve estar sempre limpo e com alta vazão. Como os animais bebem em manada, cubas que demoram a encher geram brigas e estresse.
- Comida constante e previsível: o rigor nos horários de trato evita distúrbios metabólicos, como a acidose, garantindo um ambiente ruminal saudável.
- Manejo racional: a utilização de técnicas de “nada nas mãos” e o fim da agressividade no curral reduzem hematomas e evitam o descarte de carne escura no frigorífico.
Conexão com o mercado e gestão de pessoas
O bem-estar animal é o principal ponto de contato entre a fazenda e as novas gerações de consumidores, que exigem transparência e ética na produção de alimentos. “A Geração Z está atenta. Daqui a pouco são eles que estarão trabalhando para pagar a carne”, alerta a professora.
O sucesso da TIP depende de colaboradores que entendam o “porquê” das ações. Quando o vaqueiro compreende a fisiologia do boi, o manejo flui com naturalidade e os erros operacionais diminuem drasticamente.
A TIP é o sistema que mais cresce no Brasil por sua rapidez, mas esse resultado só é pleno se o animal for tratado como o maior ativo da fazenda. “O cocho e o pasto dão o volume, mas o bem-estar dá a qualidade e a sustentabilidade”, resume Fernanda Macitelli. O lucro do pecuarista moderno está diretamente ligado à calmaria e ao conforto do seu rebanho.
News Giro do Boi no Zap!
Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.


