A sanidade é um dos pilares fundamentais para o sucesso econômico da TIP (Terminação Intensiva a Pasto). Em entrevista ao Giro do Boi, o médico veterinário José Zambrano trouxe um alerta contundente: intensificar a produção sem um status sanitário impecável é um risco financeiro.
Segundo ele, a sanidade não deve ser vista como um custo, mas como um investimento estratégico, pois tem o poder direto de potencializar o lucro ao evitar o “prejuízo invisível” — aquele onde o animal não morre, mas deixa de ganhar peso e compromete a rentabilidade da fazenda.
Confira:
O prejuízo invisível e a matemática do lucro
O especialista enfatizou que a morte de um animal é apenas a ponta do iceberg. O verdadeiro dreno no lucro do pecuarista está nas doenças subclínicas e no desempenho interrompido.
Um animal que deixa de ganhar apenas 110 gramas por dia devido a vermes, em um ciclo de 90 dias, gera uma perda financeira equivalente a uma mortalidade de 18% do estoque. Você não vê o boi morrer, mas o dinheiro desaparece do caixa da mesma forma.
Na TIP, o desafio é híbrido. O gado enfrenta problemas típicos de confinamento (doenças respiratórias) e de pasto (carrapatos e lama). Um problema de casco mal gerido pode elevar o custo por animal em até R$ 6,42, corroendo a margem líquida.
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TIP: desafios sanitários do pasto ao cocho
Diferente do confinamento convencional, a TIP exige que o pecuarista calibre o calendário sanitário para lidar com fatores ambientais que o cocho fechado não possui.
Inexistente no confinamento, o carrapato é um desafio constante na engorda a pasto, podendo causar a Tristeza Parasitária Bovina (TPB), que exige diagnóstico rápido para não ser fatal ao lucro.
Como os animais estão espalhados no pasto, a identificação precoce de doenças é mais difícil. O uso de “remangas” (pequenos currais de apoio nos pastos) é essencial para tratar o animal imediatamente, evitando que a doença evolua e o custo do medicamento aumente.
Gestão de pessoas: o motor da sanidade
Para o especialista, 90% dos problemas sanitários são consequências de falhas de manejo, o que coloca a equipe de campo como peça-chave para a lucratividade.
O vaqueiro treinado para identificar o animal doente ainda no início da infecção é o maior garantidor de lucro. Não basta ter a melhor vacina ou o melhor vermífugo: é necessário ter processos de aplicação e monitoramento bem definidos. “Plante a sanidade para colher a lucratividade”, resume José.
A intensificação é um caminho sem volta para quem busca escala, mas a sanidade é o que garante que essa escala se transforme em dinheiro no bolso. Um rebanho saudável responde melhor à dieta de milho e sorgo, aproveita o pasto com eficiência e entrega a carcaça de qualidade exigida pelo mercado externo. No fim das contas, o lucro na TIP é decidido pela agilidade do diagnóstico e pela prevenção rigorosa.
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