O Giro do Boi trouxe uma aula estratégica com uma das maiores autoridades em pastagens do Brasil: o professor da Esalq (USP), Moacyr Corsi. O debate focou na eficiência da TIP (Terminação Intensiva a Pasto), sistema que já engorda quase 10 milhões de bovinos no país.
O alerta central de Corsi ataca um erro invisível que drena o lucro de muitas fazendas: a logística ineficiente dos piquetes. Segundo o professor, forçar o animal a caminhar longas distâncias para acessar água e ração joga fora o investimento feito em nutrição, pois o gado gasta energia desnecessária em vez de converter o alimento em arrobas.
Confira:
O limite da caminhada e o gasto de energia
O título do quadro resume a preocupação de Moacyr Corsi: a distância entre o pasto e a “praça de alimentação” (cocho e bebedouro) é determinante para o desempenho biológico.
Para máxima eficiência, o animal deve caminhar, no máximo, entre 300 e 500 metros. Corsi citou casos onde o gado percorre 1.250 metros. Quando a caminhada é excessiva, o animal reduz o número de bocados diários e para de comer antes da saciedade por fadiga.
O boi acaba “trabalhando demais” para se alimentar. Na prática, ele consome a arroba paga pelo produtor no cocho apenas para se deslocar dentro da fazenda.
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A estrutura do pasto e o “tamanho do bocado”
A eficiência da TIP depende da facilidade com que o boi colhe o capim. O professor explica que o animal tem um limite de movimentos de apreensão por dia; se o bocado for ruim, o ganho de peso despenca.
Pastos mal manejados, com excesso de hastes duras, diminuem o tamanho do bocado. O gado gasta mais energia para colher menos nutrientes.
No sistema TIP, a ração deve suplementar o pasto e não esconder falhas de manejo. Um pasto jovem e folhoso garante bocados grandes e nutritivos, potencializando a dieta do cocho.
O impacto financeiro do manejo de precisão
Moacyr Corsi apresentou resultados práticos de como pequenos ajustes de manejo geram retornos financeiros imediatos e vultosos. Em uma propriedade, o simples ajuste da taxa de lotação e das alturas de manejo permitiu a inclusão de mais 200 animais na mesma área.
Com a arroba cotada a R$ 360,00, essa correção técnica resultou em um faturamento extra de R$ 50.000,00 por mês. O Brasil é imbatível na produção de biomassa, mas o pecuarista precisa “despertar” para a colheita eficiente. O lucro está no detalhe da altura do capim e na proximidade da água.
Orientação ao produtor
Como destacou o professor Moacyr Corsi, o sucesso da TIP não está apenas na formulação da ração, mas na gestão do movimento do gado. Se o boi caminha demais, ele gasta a arroba que você pagou para ele ganhar. A integração entre um pasto bem desenhado logisticamente e a suplementação estratégica é o que define quem ganha dinheiro na pecuária moderna.
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