2026 está sendo um ano desafiador para a pecuária; Embrapa ensina como driblar a crise

Foto: Divulgação.

Nesta quarta-feira (29), o Giro do Boi recebeu Guilherme Malafaia, coordenador do CiCarne, centro de inteligência da carne bovina e pesquisador da Embrapa Gado de Corte, para um diagnóstico contundente sobre o cenário atual. Embora o preço da arroba esteja em patamares interessantes, 2026 se apresenta como um ano de “tempestade perfeita”, exigindo que o produtor troque o empirismo pela gestão profissional.

Segundo a Embrapa, o sucesso na pecuária agora depende de uma visão estratégica que vai muito além da porteira, envolvendo desde a geopolítica de fertilizantes até o monitoramento rigoroso das margens de lucro.

Confira:

Gestão de risco: o “novo insumo” da fazenda

O Dr. Guilherme Malafaia destaca que, neste ano, produzir bem é apenas o primeiro passo; a sobrevivência financeira exige gestão de custo de capital e de risco.

  • Reposição cirúrgica: com o aumento forte no preço do bezerro e do gado magro (relação de troca de 9 arrobas por bezerro), a reposição consome cerca de 50% do custo de produção. Comprar mal é “decretar o prejuízo” antecipadamente.
  • Hedge e mercado futuro: o uso da B3 e de contratos a termo com frigoríficos tornaram-se o “seguro” da operação. Travar o preço de venda é fundamental para proteger a margem contra a volatilidade da arroba.
  • Monitoramento de custos: quem não monitorar os custos nutricionais e as janelas de aquisição de insumos pode ficar no negativo, mesmo com o mercado de carne aquecido.

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Desafios geopolíticos e insumos nitrogenados

A Embrapa alerta para fatores externos que colocam uma interrogação na próxima safra e exigem atenção redobrada do pecuarista brasileiro.

Conflitos na Rússia e no Oriente Médio geram incertezas sobre o fornecimento de fertilizantes, especialmente os nitrogenados. A estratégia recomendada é a eficiência no uso dessas tecnologias e a busca por alternativas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

Com a cota de exportação para a China (1,1 milhão de toneladas) batendo o teto já em maio, a previsão de taxação de 55% exige que o Brasil direcione esforços para mercados premium, como Japão e Coreia do Sul, que demandam rastreabilidade individual.

Eficiência produtiva e resiliência climática

Para driblar a crise, a Embrapa ensina que a intensificação — seja via TIP (Terminação Intensiva a Pasto) ou confinamento — deve ser acompanhada de resiliência.

Abater animais mais jovens (18 a 24 meses) reduz a exposição aos riscos climáticos (como o El Niño) e otimiza o giro de capital. Além disso, investir nos 100 milhões de hectares degradados no Brasil é a forma mais barata de aumentar a produção.

Programas como a Carne Carbono Neutro (CCN) da Embrapa são trunfos para acessar mercados que pagam bônus por sustentabilidade e georreferenciamento.

2026 não premiará o maior produtor, mas sim o mais bem gerido. A pecuária brasileira vive um “Ano de Virada” onde a inteligência de dados e a sustentabilidade são os únicos caminhos para manter a rentabilidade. O produtor que não se atualizar e ficar “de calça curta” diante das mudanças globais corre o risco de ver sua margem desaparecer.

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