O Giro do Boi desta segunda-feira (27) trouxe uma consultoria técnica detalhada para o produtor Vitor Antunes, de Buenópolis (Norte de Minas). O engenheiro agrônomo Marcius Gracco, da Intensifique Consultoria, analisou o cenário de uma área de quatro hectares irrigados e adubados destinada à recria e engorda.
Segundo Gracco, com a chegada do outono e a redução da luminosidade, a escolha da forrageira — especialmente o protagonismo do Tifton ou dos Panicums — é o que definirá a estabilidade da produção durante todo o ano.
Confira:
As 4 potências do pasto irrigado
Não existe um “capim milagroso”, mas sim aquele que se ajusta ao nível de manejo e ao clima da região. Marcius Gracco preparou um comparativo para orientar a escolha em Buenópolis:
- Tifton 85: destaca-se pela resistência ao frio e menor sensibilidade à redução de luz. É a opção que mantém a régua de produção mais alta no inverno, embora sua implantação por mudas seja mais trabalhosa e cara.
- Miyagi: oferece uma produtividade explosiva e resposta altíssima à irrigação. No entanto, é um capim “arredio”, que exige um manejo rotacionado extremamente preciso para não passar do ponto.
- Zuri: é a referência em qualidade nutricional, com excelente relação folha/colmo. É ideal para a engorda de machos e recria intensiva por produzir menos talo que o Mombaça.
- Mombaça: o sistema mais consagrado e conhecido. Sua genética é estável, mas requer cuidado rigoroso para não formar touceiras, o que gera desperdício de forragem pelo gado.
Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!
O desafio da “colheita” no sistema irrigado
Em um sistema intensivo com água e adubo, o capim não para de crescer, o que torna o manejo de colheita (entrada e saída do gado) mais importante que a própria espécie escolhida.
- Velocidade de rebrota: o ciclo encurta drasticamente. Se a rotação não for feita no dia exato, a planta fica fibrosa e perde proteína.
- Sazonalidade de luz: mesmo com irrigação, a falta de luminosidade no inverno reduz a capacidade de suporte. Se no verão a área aguenta 15 UA/ha, no inverno pode cair para 6 ou 7 UA/ha. O Tifton é a ferramenta estratégica para minimizar essa queda.
Estratégia para pequenas áreas (4 hectares)
Para uma área de quatro hectares, geralmente operada por aspersão setorizada, Gracco recomenda foco total na infraestrutura de divisão:
- Piqueteamento: o uso de cercas fixas ou móveis (elétricas) é indispensável para garantir o aproveitamento total da forragem.
- Fertilidade: irrigação sem adubação é apenas “molhar o chão”. O solo deve estar perfeitamente corrigido com calcário e gesso para que a planta responda à água.
- Praticidade: se houver mão de obra para mudas, o Tifton é imbatível em estabilidade. Para quem busca sementes, o Zuri entrega uma folha mais macia e fácil de manejar que o Mombaça.
Qualquer uma dessas quatro opções pode triplicar sua produtividade se bem manejada. O Miyagi exige presença diária; o Tifton garante segurança no inverno; e o Zuri/Mombaça são os pilares da produtividade zebuína. Escolha a variedade que melhor se adapta à sua rotina operacional, pois, no sistema irrigado, o manejo manda no capim.
News Giro do Boi no Zap!
Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.


