Capim-andropogon: por que a forrageira é opção para a seca?

Capim Andropogon. Foto: Divulgação

O Giro do Boi desta quarta-feira (22) trouxe um alerta essencial para o pecuarista: o momento de se preparar para a escassez de chuvas é agora. Segundo o engenheiro agrônomo Wagner Pires, especialista em pastagens, a estratégia para vencer o período seco não depende de milagres, mas de uma gestão rigorosa do tempo de descanso das plantas.

Nesse cenário, o capim-andropogon surge como um verdadeiro trunfo para as fazendas, especialmente no Cerrado, devido à sua capacidade única de resiliência e velocidade de resposta ao clima.

Confira:

O “trunfo” da seca: as vantagens do andropogon

Para quem enfrenta estiagens severas, o capim-andropogon é uma ferramenta estratégica valiosa por três motivos principais:

  • Sistema radicular profundo: esta forrageira possui raízes que buscam umidade em camadas do solo onde outras gramíneas não chegam, mantendo-se viva por mais tempo.
  • Explosão na rebrota: o andropogon é conhecido por ser o primeiro a “acordar”. Logo nas primeiras chuvas de transição (as chamadas chuvas de caju), ele cresce com força e rapidez.
  • Ponte de transição: ele garante oferta de alimento rápido enquanto outras variedades, como as Braquiárias e os Panicums, ainda estão saindo do período de dormência, ajudando no equilíbrio da pastagem na chegada das águas.

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A matemática do descanso

Wagner Pires reforça que o manejo não pode ser o mesmo o ano todo. A planta perde velocidade de rebrota quando a umidade e a temperatura caem, o que exige um ajuste no sistema rotacionado.

Se nas águas o capim descansa cerca de 30 dias, na seca esse tempo deve ser ampliado. Sem esse fôlego, a planta não recupera suas reservas e o pecuarista acaba “rapando” o pasto e comprometendo a vida útil da raiz.

A fazenda deve ser dividida para permitir esse descanso, mas com atenção: ter mais divisões não significa que se pode manter a carga máxima de animais em todas elas.

Ajuste de lotação e gestão de GMD

Para evitar que o gado “derreta” na seca, o ajuste da carga animal (lotação) é a regra de ouro para garantir um Ganho Médio Diário (GMD) positivo.

É necessário destinar parte do rebanho para a venda ou para o confinamento, diminuindo a Unidade Animal (UA) por hectare. Se a carga de bocas for maior que a oferta de massa, o animal perderá peso, o que destrói a rentabilidade da operação.

Trabalhar com o capim-andropogon e ajustar o descanso das pastagens agora, no outono, é o que garantirá um resultado financeiro superior na primavera. Não lute contra a natureza; use o manejo como aliado.

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