‘Ouro da pecuária’: DDG revoluciona nutrição animal e abre nova era na produção de bovinos

DDG. Foto: Divulgação.

Nesta segunda-feira (20), o Giro do Boi destacou o fenômeno que está transformando os custos e o desempenho das fazendas brasileiras: o DDG. Conhecido como o “Ouro da Pecuária”, esse coproduto da indústria de etanol de milho deixou de ser uma alternativa regional para se tornar o protagonista da nutrição animal.

Com o Brasil projetando saltar de 25 para mais de 60 usinas até 2030, a oferta desse insumo deve triplicar, atingindo 11,5 milhões de toneladas, o que promete libertar o pecuarista da dependência exclusiva de fontes proteicas tradicionais.

Confira:

O salto nutricional: por que o DDG é tão valioso?

O processo de fabricação do etanol retira o amido do milho e concentra os demais componentes. O resultado é um insumo com densidade nutricional superior ao grão original, ideal para potencializar a Recria Intensiva a Pasto (RIP) e a engorda.

  • Proteína de alta qualidade: o DDG possui entre 30% e 32% de Proteína Bruta, permitindo substituir com vantagem farelos de soja ou algodão.
  • Proteína bypass: grande parte de sua proteína é degradada diretamente no intestino do animal, o que acelera o ganho de peso e a produção de leite.
  • Energia eficiente: diferente do milho, sua energia vem da fibra de alta digestibilidade e da gordura, o que reduz riscos de acidose no cocho.

Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!

DDG versus WDG: qual escolher?

Embora venham da mesma origem, a forma física desses coprodutos define como devem ser usados na logística da fazenda:

  • DDG (Grão Seco de Destilaria): passa por secagem, ficando com apenas 10% de umidade. Pode ser transportado por longas distâncias e armazenado por até um ano sem perder qualidade.
  • WDG (Grão Úmido de Destilaria): é a versão “molhada”, ainda mais rica em nutrientes preservados. Contudo, devido à alta umidade (até 70%), o frete é caro e o consumo deve ser rápido, sendo indicado para fazendas em um raio de até 200 km da usina.

Estratégia de mercado e produção

O Dr. Murilo Meschiatti, coordenador técnico da Bellman Trouw Nutrition, reforça que o uso do DDG é uma ferramenta de gestão de risco em 2026, especialmente diante de previsões de secas severas.

Em regiões como o Mato Grosso e Goiás, o DDG tem se mostrado mais competitivo que o milho grão, entregando três vezes mais proteína por um preço proporcionalmente menor.

Estudos da UNESP confirmam que o uso desse “ouro” melhora a eficiência alimentar e o rendimento de carcaça, preparando animais mais pesados em menos tempo.

A revolução do DDG exige que o pecuarista conheça a fundo o layout da usina fornecedora, pois os níveis de fibra e gordura podem variar. Em 2026, a pecuária de alta performance não aceita amadorismo: o segredo é equilibrar a inclusão desse insumo para extrair o máximo de ganho médio diário sem desperdícios.

News Giro do Boi no Zap!

Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.

Rolar para cima