Qual o período de cocho ideal para o gado confinado?

Bovinos de corte em área de alimentação no cocho. Foto: Reprodução

No episódio desta segunda-feira (20), o quadro “A conta do Boi” respondeu à dúvida do pecuarista Sandro Dias, que buscava saber o tempo exato para manter o rebanho no sistema intensivo.

O zootecnista Gustavo Sartorello, coordenador do ICBC (Índice de Custos de Bovinos Confinados) da USP, trouxe uma análise técnica fundamental: com o preço dos insumos em alta, o período de cocho para o gado não pode ser uma estimativa visual, mas sim uma decisão baseada em eficiência biológica e viabilidade econômica.

Confira:

O padrão ouro: por que o mínimo de 90 dias?

Sartorello explica que o período de cocho para o gado deve respeitar, antes de tudo, a fisiologia do animal. Menos de 90 dias é um prazo arriscado que pode comprometer o investimento.

O animal precisa de tempo para que sua flora intestinal se ajuste à troca do capim pela dieta rica em grãos (concentrado). A deposição de gordura ocorre após o ganho de peso muscular. Para garantir que o frigorífico não penalize o lote por falta de acabamento, os primeiros 90 dias são o “piso” de segurança.

Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!

O tripé da decisão: 100 ou 110 dias?

A definição exata do tempo de permanência do gado no cocho depende de três fatores variáveis que o pecuarista deve monitorar diariamente:

  • Peso de entrada: animais que entram mais leves (boi magro) exigem mais tempo para atingir o peso de abate. Já animais que entram com 13 ou 14 arrobas fecham o ciclo mais rapidamente.
  • Eficiência biológica: é a capacidade do animal de transformar o que come em carcaça. Enquanto a conversão alimentar for positiva e o custo da arroba produzida for menor que a arroba de venda, o boi pode seguir no cocho.
  • Consumo do lote: monitorar se o gado está “limpando o cocho” ajuda a identificar o momento em que o animal atinge a maturidade fisiológica.

O perigo do excesso: o teto de 130 dias

Existe um limite onde o lucro começa a evaporar. Sartorello alerta que passar dos 120 ou 130 dias pode ser perigoso para o fechamento do caixa.

Após atingir o auge do acabamento, o consumo do gado cai e ele passa a gastar mais energia para manter o peso do que para ganhar novas arrobas. É o momento em que o pecuarista começa a “pagar para o boi morar na fazenda”. O custo da diária supera o valor do ganho de peso diário, gerando prejuízo.

Você também pode obter resposta à sua pergunta sobre qualquer dúvida que tiver na fazenda. Basta acessar este link https://novidades.canalrural.com.br/giro-do-boi, preencher com seus dados e enviar sua dúvida.

Rolar para cima