No Giro do Boi desta quinta-feira (9), o vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Santa Gertrudis, Gustavo Barreto, destacou o novo salto tecnológico da raça no país. A introdução estratégica de linhagens australianas surge como uma ferramenta poderosa de refrescamento de sangue, visando elevar o choque genético e a produtividade nas fazendas nacionais.
Com um crescimento de 20% na presença de touros em centrais de inseminação no último ano, a raça se consolida como uma solução de ponta para o cruzamento industrial e a produção de carne premium em clima tropical.
Confira:
Linhagens australianas: o reforço da heterose
A Austrália tornou-se uma referência mundial na seleção de Santa Gertrudis, desenvolvendo animais que unem rusticidade extrema com alta qualidade de carcaça. A chegada dessa genética ao Brasil foca em objetivos claros:
- Potencialização da heterose: ao “abrir o sangue” com linhagens australianas e sul-africanas, o produtor garante um maior choque genético, resultando em bezerros mais vigorosos e precoces.
- Melhoria de índices maternos: o foco está em reforçar a habilidade materna, garantindo vacas com excelente produção de leite que desmamam bezerros mais pesados.
- Eficiência alimentar e acabamento: a seleção busca animais que convertem alimento em carne com rapidez, atingindo o acabamento de carcaça ideal em menos tempo, característica vital para o mercado de nicho.
Sucessão e paixão: o segredo da Fazenda Mangabeira

Gustavo Barreto destacou que o sucesso da Fazenda Mangabeira, em Japaratuba (SE), se deve à sucessão familiar. Ele deu continuidade ao trabalho do pai, que trouxe a raça para a família em 1978.
Segundo Barreto, a dica de ouro para os pais é levar os filhos para a fazenda desde cedo, transformando o trabalho em algo prazeroso e não apenas em uma lista de problemas. Os filhos de Gustavo já estão envolvidos na lida, garantindo a longevidade da seleção de Santa Gertrudes no Brasil.

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Precocidade e a prova “novilha do futuro”
A raça celebra 45 anos do concurso Novilha do Futuro, realizado em Tietê (SP), que serve como o maior selo de fertilidade do Santa Gertrudis no Brasil. A prova exige que as novilhas tenham prenhez confirmada antes dos 18 meses, garantindo que apenas a genética mais precoce e fértil seja disseminada.
O intercâmbio com a África do Sul, outro país que seleciona animais pesados e rústicos, traz juízes e técnicos para validar o desempenho da raça sob condições de calor intenso.
O sucesso do “brasino” no cruzamento industrial

O uso do Santa Gertrudis sobre matrizes Nelore tem gerado o que os criadores chamam de “Brasino”, um animal F1 que suporta o “baque” do clima tropical sem abrir mão do desempenho de carcaça. 100% dos touros da raça em centrais hoje são provados por testes de desempenho e ultrassonografia, garantindo que o produtor invista em genética com retorno garantido.
O Santa Gertrudis em 2026 posiciona-se como a resposta para o pecuarista que busca um animal taurino adaptado. Seja em Sergipe ou no Mato Grosso, a raça prova que é possível aliar habilidade materna, docilidade e carcaça pesada em um único pacote genético, agora potencializado pelo refrescamento australiano.
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