‘Produtor foi preparado para produzir, não para gerir risco’, alerta especialista

Foto: Divulgação.

No Giro do Boi desta terça-feira (7), a especialista em gestão estratégica Iara Corrêa trouxe uma análise contundente sobre os desafios estruturais que limitam o crescimento do agro brasileiro.

Com 18 anos de experiência, Iara destacou uma falha central na formação do setor: “O produtor foi preparado para produzir, mas não para gerir o risco”. Segundo ela, a excelência dentro da porteira não é mais suficiente para garantir a permanência no mercado, sendo a profissionalização da gestão o único caminho para a competitividade e a segurança jurídica.

Confira:

O alerta de abril: embargos e rigor internacional

A urgência da profissionalização tornou-se crítica recentemente, com a entrada em vigor de exigências internacionais mais rígidas, especialmente da União Europeia.

Ter um “boi bom” já não basta; o mercado exige transparência absoluta. Fazendas sem regularidade documental e sem registros formais de funcionários correm risco imediato de embargo nos frigoríficos.

O produtor precisa organizar escrituras, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e contratos de locação, garantindo a rastreabilidade total do ciclo produtivo (cria, recria e engorda) para evitar a recusa de cargas.

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O raio-X da informalidade e a crise de mão de obra

Apesar da evolução tecnológica das máquinas, a gestão de pessoas no campo ainda é marcada pela informalidade, o que gera um gargalo produtivo e social. Cerca de 60% dos trabalhadores rurais ainda operam sem vínculo formal, um reflexo da baixa escolaridade e da sazonalidade.

A falta de formalização afasta os jovens do campo. Para Iara, a solução é criar uma “cultura de pertencimento”, onde o colaborador sinta-se parte do propósito do negócio, o que favorece a retenção de talentos e a sucessão familiar.

A mensagem final para o produtor rural em 2026 é um chamado à ação: a competitividade não se mede mais apenas por arrobas por hectare, mas pela capacidade de gerir os riscos sociais e jurídicos da atividade. Sair da zona de conforto da produção e entrar na era da gestão estratégica é o que define quem continuará no mercado. Como conclui a especialista: “Quem não cria estratégia, vira estratégia dos outros”.

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