Confinamento tem alta de margem em SP e GO, aponta índice da USP

Foto: Reprodução/Grupo Facholi

O cenário para a engorda intensiva no Brasil iniciou o mês de abril de 2026 com indicadores de rentabilidade excepcionais.

De acordo com o novo relatório do ICBC (Índice de Custos de Bovinos Confinados), elaborado pela USP e apresentado pelo Dr. Gustavo Sartorello no Giro do Boi desta segunda-feira (6), o setor de confinamento em São Paulo e Goiás registra margens de lucro até quatro vezes superiores às do mesmo período do ano passado.

O levantamento aponta que a valorização do boi gordo superou a alta dos custos de produção, criando um ambiente de forte otimismo para o alojamento de animais na transição para a seca.

Confira:

Spread histórico: o lucro do confinador

O principal destaque do relatório é o “spread” (diferença entre o custo e a venda), que atingiu patamares raramente vistos na série histórica do índice.

  • Margens em São Paulo: com um custo de arroba produzida em torno de R$ 263,00 e o preço de venda atingindo R$ 350,00, o produtor paulista embolsa uma diferença de R$ 83,00 por arroba (cerca de 24% de margem).
  • Goiás no topo: o estado goiano apresenta uma performance ainda mais agressiva, com custo de arroba produzida de R$ 227,00 e venda a R$ 320,00, gerando margens que beiram os 30%.
  • Comparativo anual: em março de 2025, o ganho era de apenas R$ 16,00 por arroba, evidenciando que o momento atual é de bonança para o setor.

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O alerta do diesel e os custos logísticos

Apesar das margens robustas, o Dr. Sartorello acendeu um alerta vermelho para a pressão inflacionária nos combustíveis, que pode corroer parte dos ganhos se não houver gestão rigorosa.

  • Explosão no combustível: em março, o preço do diesel subiu 30% em Goiás e 20% em São Paulo.
  • Impacto direto: este aumento encarece o frete do gado magro, a entrega do boi gordo e a distribuição do trato diário nos cochos.
  • Alívio nos juros: como contraponto positivo, a queda da Taxa Selic para 14,75% reduziu o custo de oportunidade, aliviando o fôlego financeiro dos projetos de confinamento.

O Dr. Gustavo Sartorello destacou que a diferença de apenas R$ 0,80 nos custos operacionais entre confinamentos grandes e médios pode parecer irrelevante, mas é devastadora na escala anual. Em uma operação média, essa ineficiência pode causar um prejuízo de até R$ 90.000,00 por falta de gestão profissionalizada. A recomendação para o produtor médio é buscar parcerias de “arroba produzida” com grandes estruturas para garantir a rentabilidade.

Com a temporada oficial de confinamento começando em abril, a orientação do ICBC/USP é clara: as margens atuais são excelentes e incentivam o alojamento, mas é fundamental utilizar ferramentas de mercado futuro para proteger esses preços e garantir o lucro extraordinário que o momento oferece diante das incertezas logísticas.

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