“O barato sai caro”, diz diretora da APPS sobre sementes piratas

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No Giro do Boi desta sexta-feira (3), a engenheira química Andreia Bernabé, diretora executiva da Associação Paulista dos Produtores de Sementes (APPS), trouxe um alerta contundente aos pecuaristas brasileiros.

O foco central da discussão foi o risco invisível das sementes piratas, um mercado clandestino que causa um prejuízo estimado em R$ 10 bilhões por ano apenas na soja e que ameaça destruir o patrimônio de produtores rurais ao introduzir pragas exóticas e comprometer a produtividade das pastagens.

Confira:

O perigo do “brinde” indesejado e o custo do erro

O maior prejuízo ao utilizar sementes piratas não é apenas a baixa taxa de germinação do capim, mas a contaminação da área.

A semente ilegal é a via mais rápida para a introdução de plantas daninhas agressivas em regiões indenes. Um exemplo crítico em 2026 é o surgimento do Caruru Gigante (Amaranthus) em solo paulista, transportado via lotes de sementes sem procedência.

Ao optar pelo “barato”, o pecuarista investe em diesel, hora-máquina e fertilizantes para, no fim, acabar estimulando o crescimento de invasoras que exigirão herbicidas caros para controle, elevando drasticamente o custo da reforma.

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Pirataria versus falsificação: entenda a diferença

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Para se proteger, o produtor precisa saber identificar as ameaças que chegam à fazenda:

  • Falsificação: é o “gato por lebre”. Coloca-se uma semente de baixa qualidade em embalagens que ostentam nomes de cultivares famosas ou protegidas.
  • Pirataria: é a multiplicação e venda de sementes à margem da Lei de Sementes. Não possui qualquer controle de pureza, germinação ou sanidade, sendo um lote totalmente às cegas.

A garantia da semente certificada

Andreia destacou que o custo da semente é um percentual muito baixo no valor total da reforma do pasto, não justificando o risco da ilegalidade.

  • Valor Cultural (VC): a tendência do mercado, já consolidada em exportações para a América Central, é a exigência de sementes com 100% de pureza, garantindo um pasto limpo desde o nascimento.
  • Genética e Ciência: através de parcerias entre a iniciativa privada (APPS/Unipasto) e a Embrapa, o Brasil desenvolveu quase 20 variedades de braquiárias e pânicos de alta performance. Usar pirataria é abrir mão de décadas de melhoramento genético.

Riscos da semente pirata na pecuária

Problema Identificado Consequência direta Impacto financeiro
Baixa Germinação Pasto falhado e solo exposto Perda total do custo de plantio
Presença de Daninhas Infestação por pragas exóticas Gasto elevado com herbicidas
Baixo Vigor Capim demora a fechar o solo Menos arrobas produzidas/ha
Lote Não Certificado Sem garantia ou nota fiscal Impossibilidade de ressarcimento

Assim como nenhum pecuarista sério utilizaria sêmen sem avaliação na IATF, a escolha da semente deve seguir o mesmo rigor. A semente define o teto produtivo da fazenda. Exigir nota fiscal e verificar a origem em empresas associadas a entidades reconhecidas são as únicas formas de garantir que o investimento no solo se transforme em lucro no gancho.

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