Drones ganham os céus dos campos de produção de alimentos no Brasil

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

O que antes era visto como um “brinquedo tecnológico” ou apenas uma curiosidade, consolidou-se como uma ferramenta indispensável para a agropecuária brasileira.

No Giro do Boi desta quinta-feira (2), o engenheiro agrônomo Gabriel Santos, gerente de negócios da Go Hobby, destacou o crescimento explosivo dos drones no campo. Entre 2021 e 2024, o número de aeronaves registradas no Brasil saltou de 355 para mais de 7.800 unidades — um reflexo da urgência do setor por produtividade com baixo impacto ambiental e eficiência operacional.

Confira:

Capacidade gigante: a revolução dos 100 litros

O grande salto tecnológico que levou os drones a dominarem as lavouras foi o aumento drástico na capacidade de carga e autonomia.

  • Modelos de alta performance: aeronaves como o DJI Agras T100 (capacidade para 100 litros) e o T70P (70 litros) mudaram o jogo. Um único drone T100 consegue cobrir entre 200 a 250 hectares por dia.
  • Multifuncionalidade: o mesmo equipamento é capaz de realizar a pulverização de líquidos ou ser adaptado para a dispersão de sólidos, como sementes de pastagem e fertilizantes granulados, com precisão cirúrgica.
  • Economia real: para produtores acima de 1.000 hectares, o investimento se paga em apenas uma safra, eliminando o “amassamento” das plantas causado pelos pneus dos tratores.

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Drones na pecuária: monitoramento e saúde do gado

Na pecuária, os drones deixaram de ser apenas pulverizadores para se tornarem os “olhos” do produtor sobre o rebanho.

  • Saúde Animal: equipados com câmeras termais, os drones sobrevoam confinamentos para identificar precocemente animais com febre ou inflamações, permitindo o tratamento antes que a doença se espalhe.
  • Gestão de pastagem: permitem a identificação precisa de falhas no estande de capim e o combate localizado de pragas (como lagartas e cigarrinhas) mesmo quando o solo está encharcado para a entrada de máquinas pesadas.
  • Manejo de cocho: realizam a contagem automatizada de animais e a leitura de sobra de cocho, otimizando a logística nutricional.

Comparativo de modelos para o produtor rural

Modelo Capacidade de calda Rendimento médio Perfil de fazenda
T25P 20 Litros 12-15 ha/hora Pecuária (áreas menores/módulos)
T70P 70 Litros 30-33 ha/hora Média escala / Integração (ILP)
T100 100 Litros 40+ ha/hora Grande escala / Sojicultores

Regulamentação e investimento

Operar um ativo que pode chegar a R$ 280 mil (T100) exige responsabilidade técnica e conformidade legal.

  • Habilitação: o operador deve possuir o curso CAAR (Coadjuvante de Operação Aeroagrícola Remota), exigido pelo Ministério da Agricultura (Mapa).
  • Registro simples: o processo junto à ANAC e ao DECEA foi simplificado, podendo ser realizado online via portal gov.br.
  • Futuro próximo: a tendência para os próximos anos é o uso de “enxames”, onde um único piloto controla várias aeronaves simultaneamente, multiplicando a área tratada.

Os drones não vieram para substituir a aviação agrícola ou os tratores, mas para preencher lacunas de eficiência e sustentabilidade. Em 2026, com a escassez de mão de obra qualificada, essa tecnologia passou a ser a extensão do braço do produtor, garantindo que o manejo ocorra no momento exato, sem desperdícios.

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