No Giro do Boi desta quinta-feira (2), o meteorologista Arthur Müller trouxe uma análise estratégica para o planejamento das fazendas neste outono. A previsão detalhada indica um cenário de alívio para o produtor que plantou a safrinha com atraso, mas acende alertas críticos sobre a oscilação térmica e o retorno precoce do fenômeno El Niño.
Para o pecuarista, o mês de abril será um divisor de águas entre o aproveitamento da umidade e a preparação para uma estação seca que promete ser rigorosa.
Confira:
Chuvas: alívio estratégico para a safrinha e pastagens
A previsão traz uma excelente notícia para o Centro-Sul do Brasil: não haverá o corte precoce das chuvas em 2026, garantindo um fôlego extra para o milho segunda safra e o rebrotamento do capim.
- Extensão da umidade: as precipitações devem se estender até o Dia das Mães (maio) na média histórica.
- Acumulados de curto prazo: na próxima semana, um ciclone extratropical ajudará a canalizar umidade para o interior do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Triângulo Mineiro, com volumes entre 50 e 70 milímetros em apenas cinco dias.
- Destaque regional: no Matopiba, as chuvas seguem acima da média, enquanto no Norte (PA e AM), os acumulados podem superar os 200 milímetros nos próximos 30 dias.
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Temperatura: calor extremo e a chegada da geada
O mês de abril será marcado por um “choque térmico” em diferentes regiões, exigindo atenção ao bem-estar animal e à sanidade do rebanho.
- Ondas de calor: São Paulo, Mato Grosso do Sul e a Região Sul enfrentarão temperaturas acima da média na primeira quinzena. O solo seco no interior paulista e mineiro aumenta o risco de estresse térmico.
- Queda nas mínimas: entre os dias 6 e 7 de abril, as temperaturas caem para 10°C no RS e SC.
- Risco de geada: após o dia 15 de abril, a previsão indica o avanço de uma massa de ar frio mais intensa, com risco real de geada nas serras gaúcha e catarinense. Em SP e MS, as mínimas podem ficar abaixo dos 15°C, exigindo cuidados com bezerros recém-nascidos.
Alerta estratégico: o retorno do El Niño 26/27
Arthur Müller alertou para uma mudança drástica no cenário climático na virada do semestre, que deve impactar o planejamento da safra futura.
- El Niño em 2026: o fenômeno deve retornar entre o final do outono e o início do inverno.
- Impacto no reservatório: mesmo com as chuvas atuais na média, os reservatórios do Centro-Sul não atingiram níveis de segurança. O retorno do El Niño deve agravar a estação seca e trazer ondas de calor agressivas na primavera de 2026.
Com a previsão de um El Niño severo no horizonte e uma estação seca castigadora, o pecuarista deve aproveitar a umidade de abril para realizar o diferimento de pastagens (reserva de pasto) e revisar as estratégias de combate a incêndios. A chuva até maio é um bônus valioso, mas a gestão hídrica rigorosa será a chave para atravessar o segundo semestre de 2026 com lucro.
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