Como corrigir fósforo em pastagem de braquiária já formada? Especialista responde

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

Nesta quarta-feira (1º), o planejamento nutricional para as pastagens mineiras ganha destaque no Giro do Boi. Respondendo à dúvida do pecuarista Otávio Rufino dos Santos, de Unaí (MG), o engenheiro agrônomo Marcius Gracco, da Intensifique Consultoria, trouxe uma aula técnica sobre o “motor” das pastagens: o fósforo.

Para o especialista, o fósforo é o elemento que define se a braquiária será um tapete verde e produtivo ou se o pasto irá definhar em touceiras com solo exposto, sendo o nutriente vital para a energia (ATP) e o perfilhamento da planta.

Confira:

O pH é o “cadeado” do fósforo

Antes de investir em adubação fosfatada, o produtor precisa olhar para a acidez do solo. Em solos com pH baixo (abaixo de 5,5), o fósforo se liga ao ferro e ao alumínio, ficando “preso” e indisponível para a braquiária.

  • A solução: o pH ideal para a máxima absorção de fósforo está entre 6,0 e 6,5.
  • A regra: corrija primeiro a acidez com o calcário para “abrir o cadeado” do solo e só depois entre com a fosfatagem. Sem a calagem, o fertilizante caro será desperdiçado.

Por que o fósforo faz o pasto “fechar”?

Diferente de outros nutrientes que estimulam apenas o crescimento vertical, o fósforo é o responsável por fazer a braquiária “esparramar”. O nutriente estimula o surgimento de novos brotos laterais (perfilhos).

Um pasto bem suprido de fósforo cria uma densidade maior de massa verde, o que resulta em mais “bocadas” por metro quadrado e diminui o espaço para a entrada de ervas daninhas.

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Fontes e modos de aplicação em pasto formado

Uma dúvida comum é se o fósforo, por ser um elemento pouco móvel no solo, funciona quando aplicado apenas na superfície de uma braquiária já estabelecida.

  • Aplicação em superfície: funciona com eficiência, pois as radicelas (raízes finas) da braquiária sobem até a camada superficial em busca do nutriente, especialmente se houver umidade e palhada.
  • Melhores fontes: para aplicação em superfície, Gracco recomenda os Fosfatos Reativos ou o Super Simples, que possuem liberação gradual e auxiliam na manutenção do sistema a longo prazo.
  • Nível crítico: o objetivo técnico é manter o solo com níveis de fósforo acima de 15 mg/decímetro cúbico.

Tabela prática: a conta da fosfatagem

Indicador Parâmetro Técnico Objetivo no Solo
Incremento Médio A cada 10 kg de pentóxido de fósforo aplicado/ha Aumenta 1 mg/decímetro cúbico na análise
Nível Crítico Mínimo para boa produção Acima de 15 mg/decímetro cúbico
pH Ideal Faixa de máxima eficiência Entre 6,0 e 6,5
Fontes Recomendadas Superfície (Pasto Formado) Fosfatos Reativos ou Super Simples

Neste outono de 2026, com preços de insumos ainda voláteis, a análise de solo deve ser a sua bússola. Não faça fosfatagem “no escuro”. Se os níveis de fósforo já estiverem adequados, o investimento deve ser redirecionado para o nitrogênio para garantir massa de seca. Meça antes de gastar para garantir que cada centavo se transforme em arroba produzida.

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