No Giro do Boi desta segunda-feira (30), o engenheiro agrônomo Mateus Arantes apresentou uma solução estratégica para a pecuária brasileira enfrentar o encarecimento global dos fertilizantes.
O Sistema São Mateus, validado pela Embrapa, surge como uma alternativa de baixo custo que utiliza o próprio gado como ferramenta de recuperação de pastagens. Em um cenário de incertezas causadas por conflitos internacionais que limitam a oferta de insumos nitrogenados, este modelo de manejo prova que a biologia e a integração podem reduzir os custos de reforma em mais de 90%.
Confira:
O conceito: integração e independência química
O título desta edição reflete a mudança de mentalidade proposta pelo Sistema São Mateus: o manejo correto do gado é o que determina se o pasto será degradado ou restaurado.
- O ciclo São Mateus: o sistema consiste na integração de 1 ano de soja (cultura de serviço) com 3 anos de pastagem. A soja corrige o solo e fixa nitrogênio, enquanto o gado entra em seguida para reciclar nutrientes via esterco e estruturar a física do solo.
- Economia drástica: enquanto uma reforma convencional custa entre R$ 5.000 e R$ 7.000 por hectare, o manejo São Mateus custa menos de 10% desse valor. O foco sai da adubação química pesada e vai para o manejo mecânico e biológico.
- Solo vivo: o pastejo controlado cria uma camada de palhada e húmus que protege a terra, combate nematoides e mantém o pasto verde mesmo no auge da seca.
Rentabilidade e a figura do “chefe do pasto”
Para Mateus Arantes, a produtividade do gado é uma consequência direta da gestão da forragem. O sistema permite extrair até R$ 7.000,00 de lucro por hectare.
Com uma carga de 4 a 6 cabeças por hectare e ganho médio de 700g/dia, o produtor obtém um retorno rápido sobre o investimento.
A fazenda precisa de um “chefe do pasto”, alguém dedicado exclusivamente a observar a altura de entrada e saída do gado. “Tudo depende da intensidade e frequência do pastejo”, afirma Mateus. É esse ajuste fino que transforma o animal de um agente de degradação em um agente de recuperação.
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Alternativas biológicas aos fertilizantes

Diante da escassez de adubos em 2026, o Sistema São Mateus prioriza tecnologias que potencializam a natureza:
- Inoculantes e fungos: uso de Azospirillum e Trichoderma para aumentar a absorção de nutrientes pelas raízes com custo baixíssimo.
- Eficiência do nitrogênio: adoção de ureia complexada com ácidos húmicos, que aumenta a eficiência do nitrogênio em 30%, permitindo reduzir a dosagem no solo.
Comparativo: reforma convencional vs. Sistema São Mateus
| Indicador | Reforma Convencional | Sistema São Mateus |
| Custo por Hectare | R$ 5.000 a R$ 7.000 | Menos de R$ 700 (< 10%) |
| Base Nutricional | Adubação química pesada | Integração Soja + Ciclo Biológico |
| Papel do Gado | Consumidor de pasto | Ferramenta de recuperação de solo |
| Sustentabilidade | Dependência de insumos | Independência e Solo Regenerativo |
A degradação das pastagens é uma decisão de manejo. O Sistema São Mateus prova que tratar o pasto como lavoura e o gado como aliado biológico garante a sustentabilidade financeira da fazenda. “Se você sabe manejar a frequência e a intensidade, o seu pasto será o seu maior ativo, não o seu maior custo”, conclui o agrônomo.
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