O cenário geopolítico global, marcado pelos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, trouxe um desafio direto para a porteira do pecuarista brasileiro: a escassez e o encarecimento dos fertilizantes.
O engenheiro agrônomo Wagner Pires, embaixador de conteúdo do Giro do Boi e autor do livro “Pastagem Sustentável de A a Z”, alerta que o momento não é de abandonar a adubação, mas de investir com inteligência técnica para manter a eficiência produtiva sem comprometer a margem de lucro.
Confira:
Estratégias para o Nitrogênio Caro (Ureia)
A instabilidade no mercado de petróleo impacta diretamente a ureia, elevando o custo do nitrogênio. Wagner Pires sugere três caminhos estratégicos para contornar os preços altos:
- Ajuste de lotação: em vez de forçar o crescimento do capim com nitrogênio químico para sustentar uma carga animal alta, a recomendação é trabalhar com uma lotação mais leve. Isso permite que o pasto se recupere naturalmente, reduzindo a dependência imediata de insumos caros.
- Adubação orgânica: uma alternativa eficaz é o uso de esterco de curral, cama de frango ou dejetos de suínos. Essas fontes são riquíssimas em nitrogênio orgânico e ajudam a baratear o custo da arroba produzida, aproveitando o que a fazenda ou a região oferecem.
- Gestão de crise: se o pasto apresenta bom vigor com as chuvas de março e a carga animal está equilibrada, o conselho é segurar a compra de nitrogênio e aguardar a redução da volatilidade do mercado.
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O planejamento não para: calcário e fósforo
Apesar da crise internacional, nem todos os insumos sofreram o mesmo impacto. Wagner Pires reforça que a base da correção de solo deve ser mantida:
- Calcário: é o insumo com melhor custo-benefício e não depende diretamente dos conflitos externos. É fundamental para corrigir a acidez e deve ser a prioridade máxima do produtor.
- Fósforo: essencial para o enraizamento do capim, as fontes de fósforo utilizadas no Brasil vêm, em grande parte, de regiões fora das zonas de conflito. Se a análise de solo indicar necessidade, o investimento deve ser mantido.
Tabela de prioridades no manejo do solo
| Insumo | Status de Preço | Recomendação Técnica |
| Calcário | Estável | Prioridade máxima. É a base para qualquer resposta do pasto. |
| Fósforo | Moderado | Manter a aplicação conforme a necessidade da análise de solo. |
| Nitrogênio | Alta Crítica | Substituir por fontes orgânicas ou reduzir a lotação animal. |
| Potássio | Em atenção | Monitorar estoques e buscar fontes alternativas (ex: pó de rocha). |
A adubação nitrogenada funciona como um “acelerador” da produção. “Se o combustível está caro, tire o pé do acelerador, ajuste a quantidade de bocas no pasto e foque na correção de base (calagem)”, afirma o especialista. Essa estratégia garante que, quando o mercado de fertilizantes estabilizar, o solo estará quimicamente equilibrado para responder rapidamente aos estímulos.
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