Alta dos fertilizantes exige ajuste no manejo do pasto, diz especialista

Foto: Pixabay.

O cenário geopolítico global, marcado pelos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, trouxe um desafio direto para a porteira do pecuarista brasileiro: a escassez e o encarecimento dos fertilizantes.

O engenheiro agrônomo Wagner Pires, embaixador de conteúdo do Giro do Boi e autor do livro “Pastagem Sustentável de A a Z”, alerta que o momento não é de abandonar a adubação, mas de investir com inteligência técnica para manter a eficiência produtiva sem comprometer a margem de lucro.

Confira:

Estratégias para o Nitrogênio Caro (Ureia)

A instabilidade no mercado de petróleo impacta diretamente a ureia, elevando o custo do nitrogênio. Wagner Pires sugere três caminhos estratégicos para contornar os preços altos:

  • Ajuste de lotação: em vez de forçar o crescimento do capim com nitrogênio químico para sustentar uma carga animal alta, a recomendação é trabalhar com uma lotação mais leve. Isso permite que o pasto se recupere naturalmente, reduzindo a dependência imediata de insumos caros.
  • Adubação orgânica: uma alternativa eficaz é o uso de esterco de curral, cama de frango ou dejetos de suínos. Essas fontes são riquíssimas em nitrogênio orgânico e ajudam a baratear o custo da arroba produzida, aproveitando o que a fazenda ou a região oferecem.
  • Gestão de crise: se o pasto apresenta bom vigor com as chuvas de março e a carga animal está equilibrada, o conselho é segurar a compra de nitrogênio e aguardar a redução da volatilidade do mercado.

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O planejamento não para: calcário e fósforo

Apesar da crise internacional, nem todos os insumos sofreram o mesmo impacto. Wagner Pires reforça que a base da correção de solo deve ser mantida:

  • Calcário: é o insumo com melhor custo-benefício e não depende diretamente dos conflitos externos. É fundamental para corrigir a acidez e deve ser a prioridade máxima do produtor.
  • Fósforo: essencial para o enraizamento do capim, as fontes de fósforo utilizadas no Brasil vêm, em grande parte, de regiões fora das zonas de conflito. Se a análise de solo indicar necessidade, o investimento deve ser mantido.

Tabela de prioridades no manejo do solo

Insumo Status de Preço Recomendação Técnica
Calcário Estável Prioridade máxima. É a base para qualquer resposta do pasto.
Fósforo Moderado Manter a aplicação conforme a necessidade da análise de solo.
Nitrogênio Alta Crítica Substituir por fontes orgânicas ou reduzir a lotação animal.
Potássio Em atenção Monitorar estoques e buscar fontes alternativas (ex: pó de rocha).

A adubação nitrogenada funciona como um “acelerador” da produção. “Se o combustível está caro, tire o pé do acelerador, ajuste a quantidade de bocas no pasto e foque na correção de base (calagem)”, afirma o especialista. Essa estratégia garante que, quando o mercado de fertilizantes estabilizar, o solo estará quimicamente equilibrado para responder rapidamente aos estímulos.

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