Com o sol forte do Norte de Mato Grosso, as afecções cutâneas em bezerros tornam-se um desafio frequente.
Segundo a médica veterinária Monalisa Camargo, a perda de pelos (alopecia) e as feridas no couro não são a doença em si, mas sinais clínicos de diferentes problemas que exigem diagnóstico preciso para evitar o sofrimento do animal e prejuízos no lote.
Confira:
O diagnóstico diferencial: identificando as causas
Para tratar as lesões de pele em bezerros, o primeiro passo é entender o que está provocando a queda de pelos e as crostas. Monalisa destaca quatro causas principais que podem confundir o produtor:
- Fotossensibilização (requeima): muito comum no final das águas. Ocorre quando o animal ingere fungos (como o Pithomyces chartarum) presentes na palhada da Brachiaria. Isso torna a pele sensível ao sol, causando rachaduras, descamação e queda de pele em carne viva.
- Fungos e bactérias: a dermatofitose (conhecida como “tinha”) cria lesões circulares bem delimitadas, com crostas secas e queda de pelo localizada.
- Sarna (ácaros): gera uma coceira intensa, fazendo com que o bezerro se lamba ou se esfregue excessivamente, resultando em feridas e perda de pelos por atrito.
- Alopecia congênita: o animal já nasce sem pelos em algumas áreas. O risco aqui é a exposição da pele rosada diretamente ao sol, o que causa queimaduras graves e recorrentes.
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Protocolo de tratamento e recuperação
O sucesso da cura depende de não “passar qualquer produto” sem critério. A veterinária recomenda um protocolo que une cuidados sistêmicos e manejo ambiental:
- Manejo de ouro (sombra): retirar o animal do sol é 50% do tratamento. Um ambiente seco e sombreado impede que a pele continue “cozinhando” no calor e permite a regeneração do tecido.
- Tratamento sistêmico: uso de antibióticos e anti-inflamatórios para combater infecções secundárias (que entram pelas feridas abertas) e aliviar a dor do bezerro.
- Cuidados tópicos: utilização de unguentos cicatrizantes e produtos antissépticos (como clorexidina ou iodo) para hidratar e desinfetar as áreas afetadas.
Checklist para o criador
Para evitar que o quadro se agrave na Fazenda Recanto, o Dr. Antonio deve seguir estes passos técnicos:
- Raspado de pele: realizar a coleta de material para análise laboratorial (citologia) e confirmar se o vilão é um fungo ou um ácaro.
- Troca de pasto: se for constatada a fotossensibilização, é necessário remover o lote das áreas com excesso de massa morta de braquiária.
- Atenção aos animais claros: bezerros brancos ou com áreas despigmentadas são os primeiros a sentir. Se notar descamação inicial, não espere a pele “abrir” para intervir.
O “couro pelado” nos bezerros exige agilidade. O isolamento na sombra logo no primeiro sinal clínico salva a vida do animal e acelera a recuperação. Em Mato Grosso, a observação constante do pasto e do escore de pele dos animais jovens é a melhor ferramenta de prevenção.
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