O poder da cria: pecuarista de MT reduz ciclo de produção e dobra lotação

Foto: Reprodução.

O Giro do Boi viajou até Barra do Garças, no Vale do Araguaia (MT), para mostrar como a profissionalização da cria transformou a Fazenda Vale da Serra.

A médica veterinária e pecuarista Cíntia Oliveira revelou que, ao investir em genética própria e manejo de precisão, conseguiu reduzir o ciclo de abate em até oito meses e dobrar a capacidade de suporte das suas pastagens, desmamando bezerros com impressionantes 240 kg.

Confira:

Genética e o fim do ciclo longo

A grande virada na propriedade em MT aconteceu quando Cíntia percebeu que os animais nascidos na fazenda eram muito superiores aos adquiridos no mercado.

  • 100% IATF: a eliminação dos touros de repasse e o uso exclusivo de Inseminação Artificial em Tempo Fixo garantiram um rebanho padronizado e precoce.
  • Abate antecipado: graças à genética, o gado da Vale da Serra atinge o peso de abate entre 8 a 12 meses antes do que os animais de compra, otimizando o giro de caixa.
  • Aumento de lotação: com 90% da área rotacionada e foco em genética eficiente, a pecuarista conseguiu dobrar a lotação das pastagens, provando que a cria é o motor da rentabilidade quando tratada com tecnologia.

Estratégias de desmame de alta performance

O sucesso em desmamar animais 90 kg acima da média nacional (que hoje patina nos 150 kg) baseia-se em dois pilares de manejo:

  • Desmama antecipada estratégica: o bezerro é apartado aos 5-6 meses com cerca de 205 kg. Isso permite que a vaca se recupere fisicamente antes da seca severa de MT. Dos 6 aos 8 meses, o bezerro recebe suplementação no cocho para atingir o alvo de 240 kg.
  • Técnica lado a lado: mãe e filho são separados apenas por uma cerca, mantendo contato visual e olfativo. Isso elimina o estresse do aparte tradicional e evita a perda de até 1 arroba por animal nos primeiros 30 dias pós-desmame.

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Bem-estar e sanidade na maternidade

Para Cíntia, o cuidado no “dia zero” é o que garante os índices produtivos do futuro.

  • Conforto térmico: a fazenda preserva corredores de árvores que garantem sombra estratégica, fundamental para a conversão alimentar no calor do Araguaia.
  • Protocolo neonatal: a brincagem é feita no primeiro dia com rigor sanitário (uso de antissépticos) e as vacas são vacinadas no pré-parto para garantir um colostro rico, prevenindo diarreias nas primeiras semanas de vida da bezerrada.

A história da Vale da Serra prova que produzir a própria genética e investir em bem-estar animal é o caminho mais curto para o lucro. “Vaca vazia não tem lugar no pasto”, afirma a pecuarista, que utiliza sua experiência como veterinária para ditar o ritmo da Pecuária 6.0 no Mato Grosso.

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