Quais cuidados garantem saúde da bezerrada até o desmame? Veja dicas

Foto: Reprodução./Giro do Boi.

Na Semana Especial sobre Bezerros, o médico veterinário André Desjardins, da Vetoquinol, trouxe um roteiro técnico para enfrentar um dado alarmante: o Brasil perde cerca de 5 milhões de bezerros por ano entre o nascimento e a desmama.

Para proteger o patrimônio da fazenda, a “blindagem” da bezerrada exige um checklist rigoroso que começa antes mesmo do nascimento e se estende até a separação da mãe.

Confira:

O “dia zero”: imunidade e a porta de entrada

Os primeiros minutos de vida são decisivos. Como o bezerro nasce com “imunidade zero”, o manejo imediato é o que define se ele sobreviverá aos primeiros desafios do pasto.

  • Colostragem obrigatória: deve ocorrer nas primeiras 6 horas de vida. O colostro é a única fonte de anticorpos para a bezerrada recém-nascida. Uma estratégia avançada é vacinar as vacas no pré-parto (45 a 30 dias antes) para enriquecer esse “primeiro leite”.
  • Cura do Umbigo: é a principal via de infecção para doenças graves. O protocolo correto exige Iodo a 10% (concentrações menores são ineficazes). O coto deve ser mergulhado por 30 segundos, e nunca apenas borrifado.
  • Higiene no corte: se precisar cortar o umbigo, use instrumentos esterilizados. O uso de canivetes sujos é uma das maiores causas de mortalidade por infecções generalizadas.

Calendário de vacinação e o erro do reforço

O sistema imune da bezerrada é imaturo, o que o torna um “primo-vacinado”. O veterinário alerta que vacinar apenas uma vez é o mesmo que não vacinar.

  • Dose e reforço: para Clostridioses e Raiva, a primeira dose deve ser aplicada aos 3 ou 4 meses, com um reforço obrigatório após 30 dias. Sem essa segunda dose, o animal não atinge o título de proteção e fica vulnerável à morte.
  • Brucelose: vacinação inegociável para bezerras entre 3 e 8 meses de idade.

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A farmácia da propriedade: itens indispensáveis

Para evitar que doenças comuns matem a bezerrada em poucas horas, o pecuarista deve ter um estoque estratégico de socorro:

  • Antibióticos e anti-inflamatórios: devem ser de amplo espectro para combater pneumonias e diarreias rapidamente, devolvendo o vigor para o bezerro voltar a mamar.
  • Soro para hidratação: em casos de diarreia, a desidratação mata mais rápido que a infecção. O soro é, muitas vezes, mais importante que o próprio antibiótico.
  • Endectocidas modernos: produtos de nova geração (como Eprinomectina + Fluazuron) controlam vermes internos e externos sem gerar resistência precoce, garantindo que o animal não “derreta” por parasitismo subclínico.

Manejo e bem-estar

O estresse no curral gera cortisol, um hormônio que suprime o sistema imune da bezerrada. Um manejo calmo e a higiene das agulhas (trocar a cada 10-15 animais) evitam a transmissão de doenças entre o lote e garantem animais mais resistentes.

Desafio Ação Preventiva
Diarreia Neonatal Colostragem rápida e ambiente limpo
Verminoses Uso de endectocidas de nova geração
Infecções de Umbigo Iodo 10% por imersão total do coto
Morte após Vacina Aplicação rigorosa da dose de reforço (30 dias)

A saúde da bezerrada começa na barriga da vaca e se consolida no capricho do vaqueiro. Evitar acidentes de manejo e seguir o checklist sanitário à risca é o que garante o peso ideal ao desmame e a sobrevivência do lucro da cria.

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