As projeções climáticas apresentadas pelo meteorologista Artur Müller trazem um alerta decisivo para o agronegócio brasileiro: o fenômeno El Niño está de volta.
Após um período sob influência da La Niña e uma breve transição de neutralidade no outono, os modelos meteorológicos indicam o retorno do aquecimento das águas do Pacífico entre o final do inverno e o início da primavera. Esta mudança radical deve ditar o ritmo da safra 2026/2027, exigindo planejamento rigoroso contra o calor extremo e a irregularidade das chuvas no coração produtivo do país.
Confira:
O alerta do El Niño para o Centro-Oeste e Sudeste
O retorno do El Niño no segundo semestre de 2026 traz riscos diretos à produtividade e ao bem-estar animal:
- Ondas de Calor e Seca: há risco elevado de ondas de calor intensas e atraso na regularização das chuvas para o plantio da safra 26/27. Máximas de 33°C já são esperadas para o Sudeste em abril.
- Risco de incêndios: o período seco tende a ser mais severo sob a influência do fenômeno, potencializando focos de incêndio em pastagens e reservas florestais.
- Contraste no Sul: ao contrário do Brasil Central, a Região Sul deve registrar chuvas acima da média a partir do final do inverno, o que pode aliviar o atual déficit hídrico, mas dificultar colheitas tardias.
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Transição climática e a chegada do outono
Antes da consolidação do El Niño, o Brasil passará por um trimestre de neutralidade climática (abril, maio e junho).
- Início do Outono: a nova estação começa oficialmente nesta sexta-feira (20) ao meio-dia, com chuvas e temperaturas dentro da média histórica.
- Umidade no solo: atualmente, o Centro-Norte (MT, TO e PA) apresenta 100% de umidade no solo, favorecendo o desenvolvimento do milho safrinha e das pastagens, embora complique a logística e o estado das estradas rurais.
- Sudeste: a atenção se volta para os reservatórios, que ainda apresentam níveis baixos, exigindo gestão consciente da água para o período de estiagem que se aproxima.
Panorama regional de curto prazo (próximos 15 dias)
O clima em março ainda apresenta severidade em pontos específicos antes do corte definitivo das chuvas:
| Região | Previsão | Impacto na Pecuária |
| Mato Grosso do Sul | Temporais (18/03) | Alerta de ventos > 100 km/h e granizo. Proteja o rebanho. |
| Matopiba e Norte | Chuvas > 100 mm | Excesso de umidade prejudica a logística e o transporte de carga. |
| Rio Grande do Sul | Déficit Hídrico | Situação crítica para lavouras; chuvas volumosas apenas no fim do mês. |
| São Paulo | Janela de Sol | Tempo firme até o final do mês, ideal para manejos de campo. |
Com o cenário de El Niño se desenhando, o planejamento forrageiro torna-se a principal ferramenta de defesa. Em regiões como São Miguel do Araguaia (GO), onde as chuvas devem “cortar” apenas em maio, o momento é agora para vedar pastos. Além disso, monitore o estresse térmico do gado, especialmente raças leiteiras e taurinas, que sofrerão com o calor intenso previsto para a transição outonal.
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