As projeções para o mercado da pecuária em 2026 indicam um cenário de oportunidades raras. No Giro do Boi desta quinta-feira (12), o engenheiro agrônomo Wagner Pires trouxe um alerta decisivo: o planejamento forrageiro não é apenas uma melhoria, mas uma necessidade de sobrevivência.
Com a janela das chuvas ainda aberta em diversas regiões e margens favoráveis no ciclo pecuário, o momento de organizar a “lavoura de capim” é imediato, pois a recuperação de uma pastagem degradada leva anos e exige aproveitar os tempos de bonança financeira para financiar as melhorias.
Confira:
Pastagem como lavoura: estratégia de médio e longo prazo
O pecuarista moderno deve abandonar o amadorismo e tratar o pasto com o mesmo rigor técnico de um agricultor de soja.
Wagner Pires sugere começar o investimento pelas áreas que estão em melhor estado, e não pelas piores. Isso garante um retorno sobre o investimento mais rápido, gerando lucro para custear a reforma das áreas mais críticas posteriormente.
Antes de pensar em reformas caríssimas que exigem revolvimento de solo, foque na recuperação e manutenção. Aplicar fertilizantes no momento certo economiza recursos e mantém a produtividade.
Vale lembrar que o planejamento deve estar atrelado ao desempenho animal. Sem o uso de balanças para medir o Ganho Médio Diário (GMD), o produtor trabalha no “achismo” e perde a chance de ajustar o manejo antes que o prejuízo ocorra.
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Preparação para a seca: o segredo está na raiz
O planejamento forrageiro eficiente para o período seco começa agora, enquanto ainda há umidade no solo.
- Tecido de reserva: nos últimos 30 dias de chuva, a aplicação de nitrogênio e fósforo é essencial para criar reservas na gema apical da planta.
- Manejo de lotação: ao entrar na seca, é vital reduzir a taxa de lotação. Se o gado “comer a raiz” por excesso de lotação em solo seco, a rebrota na primavera seguinte será lenta e comprometida, degradando o patrimônio forrageiro.
- Divisão de áreas: se o pasto está desigual (rapado perto do cocho e sobrando no fundo), a solução é a subdivisão de piquetes. O pastejo uniforme maximiza o aproveitamento da fibra e evita o desperdício de capim passado.
Integração e sustentabilidade (ESG)
Em 2026, a pecuária competitiva está intrinsecamente ligada à integração e à saúde do solo.
- Sistema Santa Fé: o consórcio de milho com braquiária gera uma palhada de alta qualidade que eleva em até 10% a produtividade da soja na sequência.
- Sequestro de carbono: raízes agressivas de braquiárias bem manejadas são potentes sequestradoras de carbono, atendendo às exigências ambientais globais e valorizando o produto final.
Guia rápido de soluções
| Problema | Recomendação de Wagner Pires |
| Calagem feita há 3 meses | O calcário já agiu. Pode entrar com Super Simples ou fosfatos agora para aproveitar o final das águas. |
| Áreas Sombreadas | Utilize Braquiária Decumbens ou Marandu, que toleram melhor o sombreamento. |
| Nordeste e Estresse Hídrico | O híbrido Camelo é a melhor opção pela alta resistência à seca e produção de massa. |
Com cercas elétricas e balanças eletrônicas acessíveis, a eficiência no pasto é obrigatória. Uma pastagem bem cuidada reduz a dependência de grãos caros e garante que o boi se pague no pasto. Como resume o agrônomo: “O gado faz a terminação no pasto. Se faltar fibra de qualidade, sua margem vai embora”.
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