Proteico energético pode ser usado nas águas e na seca? Especialista responde

Foto: Divulgação.

A suplementação estratégica é o motor que acelera o ganho de peso na pecuária moderna, mas o uso do suplemento proteico energético exige um planejamento cirúrgico.

Respondendo ao produtor João Ferreira, de Goiandira (GO), o engenheiro agrônomo Marcius Gracco, da Intensifique Consultoria, esclarece que, embora o produto possa ser usado em ambos os períodos, a matemática do lucro mostra que sua eficiência máxima ocorre durante as águas. Entender essa dinâmica é vital para decidir os investimentos da próxima safra.

Confira:

Águas vs. seca: onde investir a energia?

O conceito fundamental da nutrição animal é que o suplemento deve completar o que o pasto não entrega. No caso do proteico energético, o equilíbrio entre os períodos muda drasticamente:

  • Nas águas (oportunidade): o pasto tem boa proteína (10% a 12%), mas falta energia para o animal expressar seu potencial máximo. O suplemento proteico energético eleva a proteína da dieta para os 14% ideais e fornece a energia necessária para o animal “explodir” em GMD (Ganho Médio Diário).
  • Na seca (desafio): o pasto é fibra de baixa qualidade. O consumo do proteico energético é alto e o custo elevado. Como o capim não oferece a base necessária, o retorno sobre o investimento (arrobas produzidas vs. custo do suplemento) costuma ser negativo. Na seca, o foco deve ser a manutenção, não a aceleração cara.

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O ciclo do “mundo perfeito” na recria

Para maximizar o uso do proteico energético, Gracco sugere um cronograma que aproveita a fisiologia do animal e a sazonalidade do capim:

  1. Entrada (Junho/Julho): o bezerro chega e recebe sal proteinado de seca para manutenção ou ganho leve.
  2. Verão (Outubro a Março): com pasto farto, entra o proteico energético. É o momento de investir para ganhar peso rápido.
  3. Finalização (Abril/Maio): o animal já pesado (garrote erado) está pronto para a terminação intensiva (confinamento ou TIP).

Estratégia para o “garrote atrasado”

Se o planejamento falhou e o animal chega na seca com baixo peso (ex: 10 arrobas), o produtor deve evitar o erro comum de tentar compensar com ração cara.

  • Não use o energético na seca: o consumo será elevado e o ganho de peso não cobrirá o valor do saco de ração.
  • Volte ao básico: utilize o sal proteinado. Ele garante que o animal não perca o que ganhou nas águas e mantém a flora ruminal ativa até a próxima janela de chuvas.

Comparativo rápido de suplementação

Característica Sal proteinado (seca) Proteico energético (águas)
Objetivo Manutenção / Ganho Leve Ganho de Peso Acelerado
Consumo Baixo (1g a 2g / kg de peso) Alto (3g a 5g / kg de peso)
Proteína Alta (para digerir o capim seco) Média (completa o capim verde)
Custo/Benefício Excelente na Seca Excelente nas Águas

Invista pesado em energia quando o pasto ajudar. Na seca, segure o custo e foque na proteína para manter a flora ruminal viva. O sucesso da recria em 2026 depende de saber quando acelerar e quando poupar o caixa da fazenda.

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