Por que o ‘boi cabeceira de boiada’ se tornou o maior vilão da pecuária moderna?

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

O Giro do Boi desta sexta-feira (6) trouxe um alerta contundente do zootecnista Ricardo Abreu: o uso do boi cabeceira de boiada é o maior entrave para a lucratividade no campo.

Embora o Brasil tenha avançado na inseminação artificial, quase 80% das matrizes ainda dependem de touros em monta natural, e a insistência em utilizar reprodutores sem avaliação genética — os famosos “cabeceiras” — impede o produtor de melhorar seus índices e ganhar dinheiro.

Confira:

O perigo do “boi de boiada” na monta natural

O termo boi cabeceira de boiada refere-se àquele animal visualmente bonito, mas que não possui registro, avaliação ou procedência provada.

Ricardo Abreu enfatiza que esse tipo de animal deve ser banido das fazendas. Por não ter Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) conhecidas, ele não transmite progresso genético e compromete o futuro econômico da propriedade.

Enquanto a inseminação cresceu 8% no gado de corte (atingindo 22% das vacas), a grande maioria do rebanho ainda depende de touros a campo. O uso de touros avaliados no repasse é urgente para sanar essa falha.

A genética provada não é custo, é investimento de curto prazo. Um bezerro filho de um touro superior paga o sêmen ou o investimento no reprodutor já no primeiro leilão.

A regra dos 4 anos para evitar o retrocesso

Além de eliminar o boi cabeceira de boiada, o pecuarista deve estar atento ao manejo e à rotatividade dos touros no rebanho:

  • Troca periódica: o ideal é substituir os touros a cada 4 ou 5 anos.
  • Evitar consanguinidade: esse prazo impede que o touro cruze com as próprias filhas, o que causaria a “depressão consanguínea” (perda de fertilidade e vigor nos bezerros).
  • Upgrade tecnológico: touros jovens e avaliados (com genômica) tendem a ser superiores aos mais velhos, garantindo um avanço constante nos pesos de desmame.

Critérios de seleção para o lucro real

Para substituir o “boi comum” por uma ferramenta de lucro, o produtor deve observar critérios técnicos:

  • Foco no desempenho: ao escolher um reprodutor, priorize DEPs de Peso e Precocidade ao Desmame. Isso garante bezerros pesados e fêmeas que entram em reprodução mais cedo.
  • Adaptabilidade: em climas quentes e solos arenosos, a rusticidade do Nelore é imbatível. Busque genética de criatórios que tenham sistemas de produção semelhantes ao seu (ex: avaliação feita a pasto).

A genética é o alicerce que sustenta a nutrição e a sanidade. Sem um touro provado, as outras tecnologias não entregam seu máximo potencial. Como resume o especialista: “Melhoramento genético não tem fronteiras. É o caminho mais curto para a rentabilidade”.

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