Uma polêmica iniciada após a autuação de uma fazenda no Tocantins gerou dúvidas em todo o Brasil: o chapéu deve ser substituído pelo capacete na lida com o gado?
No Giro do Boi desta quinta-feira (5), a especialista em gestão de pessoas Jacqueline Lubaski esclareceu que a resposta está na NR-31, a norma que regula a segurança no trabalho rural. A legislação não exige a troca universal, mas sim que o Equipamento de Proteção Individual (EPI) seja adequado ao risco da função.
Confira:
O que diz a NR-31: chapéu vs. capacete
A Norma Regulamentadora 31, atualizada em 2020, prevê o uso de ambos os equipamentos, mas com finalidades distintas e baseadas no ambiente de trabalho:
- Chapéu: é tecnicamente reconhecido como um EPI para proteção do trabalhador contra radiação solar (sol), chuva e respingos. Devido ao clima tropical brasileiro, ele permanece como uma ferramenta vital na lida de campo.
- Capacete: sua indicação é específica para prevenir impactos causados por quedas ou objetos que possam cair sobre a cabeça, sendo mais comum em áreas de construção civil ou manejo florestal dentro da propriedade.
- Quem decide? A definição de qual proteção utilizar deve constar no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) da fazenda, elaborado por um técnico ou engenheiro de segurança.
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Manejo racional: tecnologia que reduz riscos
Jacqueline ressalta que a modernização da pecuária é a melhor forma de proteger o peão, muitas vezes tornando dispensável o uso de proteções pesadas:
- Gado manso: com o manejo racional e humanizado, não há necessidade de “correria”. Bois calmos diminuem o risco de quedas de cavalo e colisões.
- Infraestrutura: investir em bretes de contenção e apartadores modernos protege o funcionário de forma muito mais eficiente do que qualquer capacete. O foco deve ser em evitar o acidente, não apenas mitigar o impacto.
Desafios operacionais e EPIs “teóricos”
Um dos grandes gargalos para o produtor em 2026 é a distância entre a teoria dos auditores e a prática no campo. Muitas perneiras com Certificado de Aprovação (CA) são rígidas demais, dificultando o movimento de subir e descer do cavalo, enquanto acessórios de couro tradicionais e funcionais muitas vezes carecem de certificação oficial.
Dicas de ouro para o produtor
- Laudo realista: contrate profissionais de segurança que entendam a rotina da fazenda para evitar exigências impraticáveis.
- Proibição da lida solitária: muitos acidentes graves ocorrem quando o vaqueiro está sozinho. Proibir o laço solitário na invernada é uma regra de segurança essencial.
- Enquete: em consulta aos produtores, 100% afirmaram que não trocariam o chapéu pelo capacete, reforçando a importância cultural e funcional do acessório.
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