‘Cria regenerativa’ pode ter margem de até 30% com manejo de ponta de capim

Foto: Divulgação.

A categoria mais sensível da pecuária, a cria, passa por uma revolução em 2026 com o protocolo de cria regenerativa.

Em entrevista ao Giro do Boi nesta terça-feira (3), Antônio Chaker, diretor do Instituto Inttegra, revelou que o método “Supercria Regenerativa” permite atingir uma margem de lucro de 30%, com faturamento de até R$ 2.400,00 por hectare/ano.

O segredo para tamanha rentabilidade está na união entre gestão rigorosa, recuperação da vida do solo e um manejo de pastagem que prioriza o consumo da “ponta do capim”.

Confira:

O conceito e a rentabilidade da supercria

A cria regenerativa foca em maximizar a produção por área enquanto recupera a saúde do ecossistema da fazenda.

  • Produção verticalizada: a meta é desmamar entre 2 a 2,5 bezerros por hectare, um índice muito superior à média nacional.
  • Eficiência sanitária: o protocolo reduz a mortalidade de bezerros para níveis entre 1,3% e 2%. Em grandes propriedades, essa economia no “fundo de vale” pode representar lucros extras de quase R$ 1 milhão.
  • Solo como ativo: utiliza-se o manejo e a correção com calcário ou remineralizadores para aumentar a produtividade, reduzindo a dependência de adubos químicos tradicionais e melhorando a ciclagem de nutrientes.

Manejo de “ponta de folha”: o coração do método

A estratégia alimentar da cria regenerativa baseia-se no comportamento seletivo do gado e na mudança diária de piquete.

  • Nutrição máxima: ao mudar o gado de pasto todo dia, a vaca consome apenas a ponta da folha, que é a porção mais nutritiva e digestível da planta. Isso eleva a produção de leite e garante desmames pesados sem o custo obrigatório do creep-feeding.
  • Fertilização natural: o movimento constante dos animais garante que o esterco e a urina sejam distribuídos de forma homogênea, adubando o solo naturalmente e evitando a degradação das áreas de “malhadores”.

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Fertilidade e genética sob manejo regenerativo

A nutrição de excelência proporcionada pelo pasto regenerativo impacta diretamente os índices reprodutivos, especialmente em categorias desafiadoras.

  • Primíparas de alta performance: o método atingiu mais de 90% de prenhez em novilhas utilizando apenas pasto e sal mineral em estações de monta curtas.
  • Expressão genética: a cria regenerativa permite que o potencial do Nelore brasileiro se expresse ao máximo, sustentando protocolos de IATF em sequência com vacas em excelente escore corporal.

Gestão, inovação e o “remédio para dormir”

Para Chaker, a tecnologia deve simplificar a lida e atrair as novas gerações para a sucessão familiar. O uso de quadriciclos e cercas elétricas móveis torna a mudança diária de pasto uma tarefa rápida e atrativa, facilitando a gestão de pessoas.

O protocolo exige que 6% a 20% da fazenda seja dedicada a reservas de alimento (silagem, feno ou capim diferido). Este “remédio para dormir” garante que as matrizes não percam peso na transição entre seca e águas.

A cria regenerativa é multifatorial. Transformar o bezerro no principal gerador de caixa da fazenda exige cuidar simultaneamente do solo, da genética e, principalmente, das pessoas. A inovação simples no manejo diário é o que garante a sustentabilidade econômica e ambiental do negócio.

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