Black Simental é uma boa opção para o tricross? Entenda o cruzamento

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

Nesta quarta-feira (25), o zootecnista Alexandre Zadra, autoridade em genética bovina e do blog Crossbreeding, respondeu a uma dúvida estratégica do pecuarista Marcelo Della Vecchia, de Monte Alto (SP). O foco é o próximo passo para quem já trabalha com a “rainha da pecuária” (a fêmea F1 Angus x Nelore) e cogita o uso do Black Simental no sistema de Tricross.

Zadra alerta que, embora a raça seja extraordinária, o sucesso do cruzamento industrial no Brasil depende diretamente da manutenção da adaptabilidade ao calor.

Confira:

O desafio do Black Simental na F1

Ao considerar o Black Simental para cruzar com fêmeas F1, o produtor deve estar atento à proporção de sangue europeu no produto final.

  • O problema do sangue 3/4: a fêmea F1 já é 50% europeia. Ao utilizar um touro Black Simental (100% europeu), o bezerro resultante será 75% europeu.
  • Consequência biológica: animais com este grau de sangue tendem a apresentar metabolismo muito alto e excesso de pelos. Em regiões quentes como o interior de São Paulo, eles sofrem com o estresse térmico, comem menos e perdem performance produtiva.

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Nutrição: preparando a novilha F1 para o choque

Antes de pensar no Black Simental, Marcelo questionou se poderia recriar suas novilhas apenas com silagem de milho.

  • Meta de peso: as novilhas desmamadas com 240 kg precisam chegar aos 300 kg para uma IATF segura.
  • O papel da silagem: a silagem de milho é uma ferramenta perfeita para garantir esse ganho de 60 kg, especialmente durante o vazio forrageiro da seca. Ela garante que o animal mantenha o escore corporal necessário para entrar em reprodução precocemente.

Alternativas para o tricross estratégico

Se o objetivo é manter vigor híbrido e resistência, Zadra sugere alternativas ao Black Simental dependendo do foco da fazenda:

  • Para reposição de matrizes (Bimestiços): raças como Brangus ou Braford são ideais. Elas mantêm o sangue europeu em cerca de 56%, garantindo precocidade e qualidade de carcaça sem perder a adaptação.
  • Para abate total (cruzamento terminal): se a ideia é enviar tudo para o frigorífico, raças como Canchim ou Simbrasil entregam grande porte e peso pesado.
  • Para máxima adaptação (pelo zero): raças adaptadas como Bonsmara, Senepol ou Caracu garantem animais que não sentem o calor, mantendo o desempenho mesmo sob sol forte.

O Black Simental é uma raça de alto desempenho, mas exige um ambiente controlado ou clima mais ameno para expressar seu potencial sobre a F1. Para o cenário de Monte Alto, opções como o Brangus (para precocidade) ou o Caracu (para rusticidade e peso) tendem a oferecer um equilíbrio econômico mais seguro.

Sobre as fêmeas Tricross, aproveitá-las por até três crias antes do descarte é uma estratégia viável para renovar a genética e aproveitar o valor de abate do animal ainda jovem.

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