Brangus é boa opção para carne premium? Confira a resposta

Foto: Divulgação.

Para o pecuarista que atua no Norte do Brasil, o desafio é equilibrar a produtividade em climas quentes com as exigências rigorosas dos frigoríficos.

Respondendo ao produtor Sergio Luiz Gonçalves, de Araguaína (TO), o zootecnista e especialista em genética Alexandre Zadra esclarece uma dúvida técnica fundamental: embora o Brangus seja uma raça de excelência, utilizá-lo sobre matrizes 3/4 Nelore pode “furar” o objetivo de acessar os programas de carne premium.

O segredo para a bonificação máxima em 2026 está na matemática do sangue e na escolha de raças que garantam o padrão visual europeu e a qualidade de carcaça exigida pela indústria.

Confira:

A matemática do sangue: por que o Brangus pode falhar aqui?

Para que um animal seja classificado em protocolos de carne premium (como o Carne Angus), ele precisa apresentar fenótipo europeu e, no mínimo, 50% de sangue taurino.

  • O cálculo: a matriz de Sergio é 3/4 Nelore (75% Zebu) e 1/4 Angus (25% Taurino). Ao usar um touro Brangus (que é 5/8 Angus), o bezerro resultante terá aproximadamente 43,5% de sangue taurino.
  • O resultado visual: com menos de 50% de sangue europeu, o animal tende a apresentar características zebuínas marcantes, como orelhas lancetadas e o “cupinzinho”. Na linha de abate, os classificadores identificam esse padrão e o animal acaba perdendo a premiação premium.

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As melhores opções: taurinos adaptados

Para garantir que o bezerro tenha mais de 50% de sangue taurino e suporte o calor de Araguaína na recria a pasto, Zadra recomenda o uso de taurinos adaptados sobre essas fêmeas. Ao usar essas raças, o bezerro sobe para cerca de 62,5% (5/8) de sangue taurino, garantindo a bonificação.

  • Bonsmara: oferece extrema musculosidade e qualidade de carne. É a opção ideal para quem foca 100% em programas premium.
  • Senepol: garante padronização, pelo zero e precocidade. Os bezerros são totalmente adaptados ao calor do Tocantins.
  • Caracu: proporciona grande heterose (choque de sangue) e resulta em machos muito pesados e fêmeas com excelente habilidade materna.

Estratégia de terminação e bonificação

O plano de Sergio de recriar a pasto e terminar em confinamento é validado pelo especialista, desde que a genética correta seja aplicada.

  • Fêmeas premium: as fêmeas “5/8” resultantes desses cruzamentos (Senepol ou Bonsmara x 3/4 Nelore) são precoces e pesadas, recebendo o valor do boi gordo somado ao bônus de carne premium.
  • Desempenho no cocho: esses animais adaptados não sofrem no pasto durante a seca e apresentam uma “explosão” de ganho de peso ao entrarem no confinamento, entregando o acabamento de gordura que o mercado exige.

No Norte do Tocantins, o uso de raças adaptadas sobre matrizes com base zebuína é a “fórmula da segurança”. Você protege o animal do estresse térmico e garante o padrão racial necessário para o bônus no frigorífico.

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