BRS Capiaçu é viável para silagem? Zootecnista aponta prós e contras

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

O uso do BRS Capiaçu consolidou-se em 2026 como uma das estratégias mais eficazes para o pecuarista que busca produzir grandes volumes de forragem a baixo custo.

Respondendo ao produtor Daniel Domingues, de Nova Laranjeiras (PR), o zootecnista Edmar Peluso, da consultoria Gerente de Pasto, destaca que a viabilidade desta tecnologia depende diretamente do rigor no manejo: para obter resultados, é preciso tratar o capim como uma lavoura de alto desempenho, e não como uma pastagem comum.

Confira:

Prós: vantagens estratégicas e produtivas

O BRS Capiaçu oferece benefícios que o tornam superior a outras opções, como o milho, em cenários de intensificação:

  • Explosão de massa em pouca área: produz entre 40 a 50 toneladas de massa verde por corte. Isso permite liberar a maior parte da fazenda para o gado pastar, concentrando a reserva estratégica em poucos hectares.
  • Baixo custo de manutenção: por ser uma cultura perene, você não precisa plantar todos os anos. Bem manejado, o capiaçuzeiro dura anos, diluindo o custo de implantação ao longo das safras.
  • Versatilidade: além da silagem, pode ser usado como capineira de emergência para trato verde direto no cocho durante secas rigorosas.

Contras e desafios: onde o produtor erra

A principal desvantagem do BRS Capiaçu não está na planta, mas na falha de manejo, especialmente no momento da colheita.

  • Teor de água elevado: se colhido muito verde, o silo libera muito efluente (“chora”), perdendo nutrientes preciosos e gerando uma silagem ácida que reduz o consumo pelo gado.
  • Exigência nutricional: a planta extrai muitos nutrientes do solo. Se não houver adubação imediata após cada corte, a produtividade despenca rapidamente.
  • Necessidade de aditivos: diferente do milho, o capim tem menos açúcares naturais, o que torna o uso de inoculantes obrigatório para uma fermentação de qualidade.

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O ponto de corte: o grande segredo

Para garantir a qualidade da silagem, Daniel deve observar o sinal visual da planta em vez de apenas contar os dias.

  • Matéria seca: o momento ideal de corte é quando as 2 ou 3 folhas da base começam a amarelar. Esse é o indicativo de que a planta atingiu o equilíbrio entre volume e matéria seca.
  • Altura de corte: deve-se cortar a cerca de 30 cm do chão para evitar a entrada de terra e impurezas no silo, o que comprometeria a fermentação.

Processamento e conservação

Devido ao talo mais fibroso, a silagem de BRS Capiaçu exige atenção redobrada na compactação para expulsar todo o oxigênio e garantir a conservação por longo período. Uma vedação com lona de alta qualidade é inegociável para evitar perdas na camada superficial.

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