Forrageiras atuam como “arados biológicos” na recuperação do solo; entenda

Foto: Reprodução.

Na pecuária moderna de 2026, as gramíneas deixaram de ser vistas apenas como fonte de alimento para o rebanho.

Em entrevista ao Giro do Boi, a zootecnista Lara Gabriely Silva Moura, coordenadora de P&D da SBS Green Seeds, explicou como as forrageiras desempenham um papel multifuncional estratégico, atuando como verdadeiros “arados biológicos” que recuperam a saúde física e química do solo, combatendo a compactação e aumentando a rentabilidade global da fazenda.

Confira:

As raízes como agentes de engenharia do solo

O sistema radicular agressivo e profundo de espécies como as Braquiárias e os Pânicons é a principal ferramenta para restaurar áreas degradadas.

As raízes penetram em camadas endurecidas, criando bioporos que permitem a infiltração de água e a troca de gases. Uma braquiária pode depositar entre 2 a 4 toneladas de massa radicular por hectare.

Essas forrageiras buscam nutrientes em profundidades que culturas como soja e milho não alcançam, trazendo nitrogênio e potássio de volta para a superfície. Estima-se que o uso estratégico de gramíneas em rotação possa elevar a produção da soja em até 20 sacas por hectare na safra seguinte, devido à melhoria da estrutura do solo.

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Escolha estratégica e manejo de precisão

A eficiência dessas plantas como “arados” depende da escolha da espécie correta e do respeito às alturas de manejo.

  • Integração Lavoura-Pecuária (ILP): a Brachiaria ruziziensis é a mais indicada para sistemas de integração devido à sua facilidade de dessecação para o plantio da cultura sucessora.
  • Robustez radicular: para quem busca máxima recuperação de solo e acesso à água em camadas profundas, as variedades Piatã e Xaraés são as mais recomendadas.
  • Régua de manejo: Lara reforça que o “capim passado” (muito alto) perde eficiência. Respeitar as alturas de entrada e saída (como 90 cm e 45 cm para o Mombaça) garante que a planta continue realizando fotossíntese e produzindo raízes fortes.

Sustentabilidade e proteção do sistema

O uso de forrageiras cria uma camada de proteção que beneficia todo o ecossistema produtivo da propriedade.

  • Resiliência térmica: a palhada formada pelas gramíneas mantém a umidade do solo e reduz a temperatura superficial, protegendo a plantação contra veranicos.
  • Controle de invasoras: o sombreamento físico promovido pelo capim bem estabelecido combate o banco de sementes de plantas daninhas, reduzindo a necessidade de herbicidas.
  • Nutrição de solo: a zootecnista esclarece que a adubação granulada no solo ainda é a via mais eficiente para suprir a alta demanda mineral das gramíneas, em comparação à adubação foliar.

Dica da especialista

A visão de 2026 é clara: o produtor deve ser um gestor de sistemas biológicos. “Se você cuida da raiz, a folha e a arroba vêm como consequência”, afirma Lara Gabriely. Manter o solo sempre ocupado com forrageiras garante renda o ano todo e a preservação do patrimônio do pecuarista.

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