No mais recente episódio do quadro “A conta do Boi”, o zootecnista e consultor Gustavo Sartorello, idealizador da startup Agroplanner e coordenador do ICBC, trouxe um alerta fundamental para o pecuarista brasileiro: o cenário atual para a compra de milho representa um verdadeiro “cavalo arreado” que não pode ser ignorado.
Com a desvalorização do grão e a valorização da arroba, o poder de compra do produtor atingiu patamares históricos neste início de 2026.
Confira:
Relação de troca histórica: a moeda arroba fortalecida
A rentabilidade na pecuária depende da relação entre o valor de venda e o custo dos insumos. Em 2026, a “moeda” arroba nunca comprou tanto milho como agora, otimizando a margem de quem trabalha com sistemas intensivos, como o confinamento e a TIP.
- Evolução do Poder de Compra:
- 2024: 1 arroba comprava 3,7 sacas de milho.
- 2025: a relação subiu para 4,3 sacas.
- Projeção 2026: no mercado futuro, os negócios já estão sendo firmados a 5,0 sacas de milho por cada arroba vendida.
Oportunidade real: janeiro de 2026 em números

O comportamento do mercado no primeiro mês do ano consolidou uma janela de oportunidade rara para o planejamento nutricional da safra. Enquanto o produto final (boi) subiu, o insumo base (grão) recuou.
- Valorização do boi gordo: alta de 2,5%, atingindo a referência de R$ 333,00 (Cepea).
- Desvalorização do milho: queda de 5,0%, sendo negociado próximo aos R$ 67,00.
- Estratégia: esta inversão de curvas permite travar os custos de alimentação para o período da seca com uma margem de lucro muito mais folgada.

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Gestão e o Índice de Custo de Bovinos Confinados (ICBC)
Como coordenador do ICBC, que funciona como uma “inflação oficial” para o gado de cocho, Sartorello reforça que o bom gestor deve focar em metas e não em especulação. A gestão de alta performance deve seguir três passos:
- Domínio de custos: saber o valor exato da arroba produzida “dentro da porteira”.
- Definição de margem: se a relação de 5 sacas por arroba garante o lucro, o ideal é travar a operação.
- Uso do mercado futuro: utilizar ferramentas de proteção para garantir que os preços favoráveis de hoje reflitam no caixa no momento do abate.
“Garantir a rentabilidade mínima todos os anos, através de juros compostos, leva o seu negócio a patamares de crescimento que você não imagina”, afirma Sartorello.
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