A fase de recria é, tecnicamente, o período de maior retorno sobre o investimento na pecuária, pois o animal jovem possui a melhor eficiência alimentar de todo o ciclo.
Respondendo ao telespectador Edson Biguetti, de Carbonera (PR), o engenheiro agrónomo Marcius Gracco, da Intensifique Consultoria, esclarece que para “turbinar” o desempenho, o segredo não reside em uma espécie milagrosa, mas sim no manejo rigoroso do pasto.
O bezerro recém-desmamado é extremamente exigente em proteína e energia, e qualquer falha na oferta de forragem pode causar o “baque do desmame”, atrasando todo o cronograma de abate.
Confira:
Folha vs. talo: a dieta do bezerro
Para o bezerro desmamado, o melhor pasto é aquele que oferece a maior proporção de folhas verdes em relação a talos e material seco.
- Qualidade bromatológica: é na ponta da folha que se concentra a proteína e a energia. Se o capim “encanar” (passar do ponto e ficar fibroso), o bezerro perde desempenho porque não consegue digerir bem aquele material.
- O “ponto áureo”: seja Piatã, Mombaça ou Marandu, a qualidade é determinada pelo respeito às alturas de entrada e saída. O bezerro deve comer apenas o “filé mignon” do capim.
Diferença entre maternidade e recria
O especialista faz uma distinção importante entre as fases, pois o objetivo do pasto muda conforme a idade do animal:
- Na maternidade: recomendam-se pastos decumbentes e de porte baixo (como a Brachiaria decumbens), facilitando a visualização dos recém-nascidos para cuidados como a cura do umbigo.
- Na recria: o foco é ganho de peso. Aqui, o animal deve ocupar o melhor piquete da fazenda, com solo corrigido e forragem em pleno vigor vegetativo.
Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!
Estratégia para o oeste paranaense
Em regiões de solo fértil como Carbonera, o produtor tem o clima a seu favor, mas a gestão deve ser profissional:
- Atenção ao Resíduo: não permita que o bezerro “rape” o pasto. Manter uma altura de resíduo adequada garante que a rebrota seja rápida e que o solo permaneça protegido.
- Escolha da espécie: se o manejo for intensivo, os Panicums (como Mombaça ou Zuri) entregam muita massa. Se for mais extensivo, braquiárias modernas (como Piatã ou Paiaguás) oferecem maior segurança e tolerância.
Dica de ouro: eficiência é lucro
Colocar o bezerro no melhor pasto garante que ele continue crescendo sem interrupções. Como o animal jovem transforma alimento em carcaça com mais facilidade que um boi erado, cada quilo de pasto de qualidade consumido agora vale mais dinheiro no fechamento da safra.
News Giro do Boi no Zap!
Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.


