Black Simental com Nelore entra no Protocolo 1953? Especialista esclarece

O desejo de ingressar no mercado de carnes nobres tem motivado pecuaristas de todo o Brasil a buscarem combinações genéticas mais eficientes.

Em resposta ao pecuarista Paulo César Navarro, de Araguari (MG), o zootecnista e especialista em cruzamento industrial Alexandre Zadra esclarece que o cruzamento de Black Simental com Nelore não só é permitido, como é uma ferramenta poderosa para quem busca as bonificações do Protocolo 1953.

Confira:

Critérios de enquadramento no Protocolo 1953

Para receber a premiação deste protocolo de carne premium, o animal precisa atender a um requisito básico de genética: possuir, no mínimo, 50% de sangue taurino (seja ele europeu continental, britânico ou adaptado).

  • Cruzamentos F1: o cruzamento direto do Black Simental (taurino continental) sobre a vaca Nelore (zebuíno) resulta em um animal 50% taurino. Portanto, está plenamente apto ao programa.
  • Biotipos aceitos: além do Simental, raças como Angus, Hereford, Charolês e até as adaptadas como Senepol e Caracu garantem o enquadramento quando utilizadas sobre base zebuína.
  • Animais tricross: o uso de Black Simental sobre fêmeas F1 (Angus x Nelore, por exemplo) eleva o grau de sangue taurino para 75%, resultando em carcaças pesadíssimas e excelente marmoreio.

Por que o Black Simental?

O Black Simental é uma linhagem da raça Simental selecionada para apresentar pelagem preta, mantendo as características de carcaça da raça original. Zadra explica por que essa opção tem ganhado espaço:

  • Vigor híbrido e peso: como uma raça continental, o Simental imprime muito ganho de peso e musculatura. No cruzamento com o Nelore, o resultado é um animal de carcaça moderna e precoce.
  • Padronização: a pelagem preta é muito valorizada comercialmente, pois remete à padronização visual exigida por muitos programas de carne de qualidade.
  • Manejo de fêmeas: as novilhas meio-sangue Black Simental são precoces e podem ser abatidas com excelente acabamento de gordura, atendendo perfeitamente às exigências de maciez do Protocolo 1953.

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Diferenças no abate: machos e fêmeas

Alexandre Zadra alerta para uma regra operacional importante do protocolo que influencia a estratégia da fazenda:

  • Fêmeas: devem ser jovens (até 4 dentes) e apresentar bom acabamento de carcaça. São a base principal do programa 1953.
  • Machos: para serem bonificados no 1953, os machos devem ser castrados e ter no máximo 4 dentes.
  • Alternativa: caso o produtor opte por não castrar, o macho meio-sangue Black Simental x Nelore é um candidato ideal para o “Padrão China”, onde se exige animais inteiros, jovens e pesados.

Oferta de touros e adaptabilidade

Sobre a dúvida de Paulo César quanto à baixa oferta de touros no mercado, Zadra explica que, por ser um animal de clima temperado, o uso de touros Black Simental a campo no Sudeste e Centro-Oeste exige cuidados:

  • Inseminação artificial: é a via mais recomendada para utilizar essa genética em larga escala, garantindo o uso de touros provados.
  • Repasse com adaptados: se o objetivo é o uso de touros em monta natural sob sol forte, Zadra sugere raças adaptadas (como Senepol ou Bonsmara) sobre fêmeas F1 para manter o grau de sangue taurino exigido pelo protocolo com maior resistência térmica.

Se você busca o máximo de peso ao desmame e quer aproveitar o bônus do 1953, o cruzamento industrial com raças continentais como o Black Simental é o caminho para produzir animais super precoces com carcaças pesadíssimas e alto valor agregado.

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