Fosfato em pastagens: fazer a calagem pode facilitar a incorporação?

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

A adubação fosfatada é um dos investimentos mais estratégicos para o pecuarista que deseja longevidade e vigor nas pastagens.

Respondendo ao Luciano Divino, de Santana do Araguaia (PA), o engenheiro agrônomo Marcius Gracco, da Intensifique Consultoria, esclarece que o sucesso da aplicação do fósforo (P) depende diretamente de como o solo foi preparado. A resposta curta é: sim, a calagem não só facilita, mas é essencial para garantir que o fósforo chegue à planta e não fique “preso” na terra.

O fósforo funciona como o “combustível” do capim, sendo o nutriente responsável pelo desenvolvimento das raízes e pelo perfilhamento, que é o fechamento do estande de plantas no solo.

Confira:

O dilema: incorporar ou aplicar em cobertura?

Diferente do nitrogênio, que é móvel e desce com a água das chuvas, o fósforo é um elemento imóvel. Ele permanece exatamente onde é colocado.

Para que as raízes cresçam em profundidade e confiram resistência à seca, o fósforo precisa estar disponível na camada de 0 a 20 centímetros. Se aplicado apenas em cobertura (a lanço), ele se concentrará na superfície, limitando o sistema radicular.

Em solos tropicais, como os do Pará, o fósforo tem afinidade química com o ferro e o alumínio. Se o solo estiver ácido, o fósforo se liga a esses elementos e fica “fixado”, tornando-se indisponível para o capim.

A regra de ouro: calagem antes da adubação

Para evitar que o investimento em adubação seja desperdiçado, Marcius Gracco recomenda um cronograma técnico rigoroso:

  1. Calagem prévia: o calcário deve ser aplicado primeiro para neutralizar o alumínio e o ferro.
  2. Incorporação do calcário: utilize a grade para que o calcário reaja na camada de 0 a 20 centímetros.
  3. Fosfatagem: somente após a reação do calcário o fósforo deve ser aplicado. Com o pH corrigido, o fósforo encontrará um ambiente favorável e ficará disponível para a absorção das raízes.

Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!

Valores de referência e produção de energia

Para que o fósforo não seja o gargalo da produção de arrobas, o produtor deve monitorar os níveis através da análise de solo:

  • Meta técnica: O ideal é manter níveis acima de 15 mg/dm³.
  • Desempenho: acima deste patamar, a gramínea expressa seu potencial máximo na produção de energia (ATP) e massa verde, garantindo maior suporte de animais por hectare.

Cronograma para o “mundo ideal” na reforma

Se o objetivo é “turbinar” o pasto em áreas de reforma ou formação, o passo a passo é:

  • Análise de solo: identificar a carência exata.
  • Calcário: aplicar e incorporar com grade.
  • Fosfatagem: aplicar e realizar uma incorporação leve.
  • Plantio: semear logo em seguida para aproveitar o nutriente prontamente disponível.

Em pastos já estabelecidos onde a incorporação mecânica não é possível, a adubação em cobertura é uma alternativa, porém os resultados em produtividade e profundidade de raiz são significativamente mais lentos.

News Giro do Boi no Zap!

Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.

Rolar para cima