Sanidade, manejo e qualidade definem acesso da carne brasileira aos mercados internacionais

A gestão de excelência na pecuária brasileira em 2026 não é mais um diferencial, mas um pré-requisito. Em entrevista ao Giro do Boi, o médico veterinário Éverton Andrade, especialista da JBS/Friboi, reforçou que a sanidade e o manejo racional são os únicos fatores capazes de barrar ou abrir as portas do comércio global de alimentos.

Segundo ele, para que o Brasil mantenha sua liderança, o foco do produtor deve estar na transformação da fazenda em uma unidade industrial de produção de proteína segura e ética.

Confira:

Gestão sanitária: o passaporte para a exportação

A sanidade animal é o pilar que garante a segurança do alimento que chega à mesa do consumidor. Falhas neste quesito podem embargar exportações de plantas inteiras e prejudicar a reputação de todo o país.

  • Calendário sanitário estratégico: deve ser personalizado para cada categoria (cria, recria ou engorda). Na cria, o foco em clostridioses e diarreias é vital para a sobrevivência dos bezerros.
  • Controle rigoroso de resíduos: o cumprimento do período de carência dos medicamentos é inegociável. A presença de resíduos químicos na carne é um dos principais motivos de sanções internacionais.
  • Quarentena e biosseguridade: o isolamento de animais recém-adquiridos é indispensável para evitar a introdução de novas patologias no rebanho estabelecido.

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Manejo racional e bem-estar animal

Tratar o gado com respeito e técnica impacta diretamente na rentabilidade e na qualidade final do produto. O bem-estar animal é uma demanda ética que se traduz em eficiência produtiva.

  • Qualidade da carcaça: o manejo agressivo gera estresse pré-abate, o que eleva o pH da carne, resultando em um produto escuro, menos macio e com menor vida útil nas prateleiras (shelf-life).
  • Treinamento de equipe: a transição para o manejo “nada-a-passo” e a eliminação de objetos perfurantes nos currais reduzem hematomas e perdas por descarte de carne no frigorífico.

Monitoramento, registros e qualidade

O que não é medido não é gerenciado. A “carteira de identidade” do boi moderno é composta por dados precisos que garantem a rastreabilidade e a transparência do processo.

  • Histórico de vida: o animal deve possuir um registro sanitário que o acompanhe do nascimento ao abate, evitando falhas vacinais ou superdosagens.
  • Uso responsável de antibióticos: o monitoramento constante permite a redução do uso de medicamentos, atendendo a uma exigência crescente dos mercados premium.
  • Higiene das instalações: a limpeza de bebedouros e cochos reduz a pressão de infecção no ambiente, minimizando a necessidade de intervenções químicas.

O apoio da indústria ao produtor

A indústria atua como parceira estratégica nessa jornada de adequação. Iniciativas como a disponibilização de manuais técnicos, suporte para a redução da marca a fogo e programas focados na neonatologia (como o “Cada Bezerro Importa”) estão à disposição dos pecuaristas que buscam bônus por qualidade e segurança jurídica.

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