Pasto maternidade: como reconhecer vacas amojando e evitar problemas na cria?

Foto: Divulgação.

Garantir que a matriz esteja no local adequado no momento do nascimento é o primeiro passo para o sucesso da fase de cria.

Segundo o programa “Cada Bezerro Importa”, desenvolvido pela BE.Animal em parceria com o Grupo ETCO (Unesp Jaboticabal), a identificação correta das vacas “amojadas”, aquelas que estão próximas ao parto, permite um manejo preventivo que reduz drasticamente a mortalidade neonatal e as complicações para a mãe.

Confira:

Sinais clínicos: como identificar a vaca “amojada”

A equipe de campo deve ser treinada para reconhecer as transformações físicas que indicam que o parto se aproxima. Os quatro sinais principais são:

  1. Relaxamento dos ligamentos: a base da cauda e a região da pelve ficam visivelmente afrouxadas (a vaca parece “encovada”).
  2. Úbere e tetos armados: o úbere aumenta significativamente de volume e os tetos ficam cheios, sinalizando a descida do colostro.
  3. Edema vulvar: a vulva apresenta um inchaço característico (edema).
  4. Abdômen volumoso: ocorre o “baixar da barriga”, reflexo do posicionamento final do feto para a saída.

Condução e manejo sem estresse

Ao identificar esses sinais, a vaca deve ser encaminhada imediatamente para o pasto maternidade. No entanto, a forma como essa condução é feita impacta diretamente na facilidade do parto:

  • Manejo racional: a condução deve ser feita ao passo, de forma extremamente calma.
  • Proibições: é terminantemente proibido o uso de cães, gritos ou correria. O estresse nesse estágio pode causar a liberação de adrenalina, que inibe as contrações naturais e pode provocar distocias (partos difíceis).

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Separação por categoria: a regra de ouro

Um erro comum no pasto maternidade é misturar animais jovens com adultos. Para evitar problemas de comportamento e saúde, as categorias devem ser separadas:

  • Novilhas vs. Vacas: novilhas (primigestas) não devem dividir o pasto com vacas multíparas. Vacas experientes em trabalho de parto podem manifestar o instinto de “roubo de bezerro”, tentando adotar a cria da novilha e quebrando o vínculo materno-filial essencial.
  • Atenção especial às primíparas: novilhas têm maior probabilidade de dificuldades no parto e habilidade materna ainda em desenvolvimento, exigindo rondas e visitas mais frequentes da equipe.

Dica de gestão preventiva

O tutorial reforça que o planejamento começa cedo: formar os lotes de parição logo após o diagnóstico de gestação permite um manejo nutricional específico para o terço final da prenhez. Isso garante que a matriz chegue ao parto com escore corporal adequado e produza um bezerro mais pesado e vigoroso.

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