O conceito de Beef on Dairy está revolucionando a gestão das fazendas leiteiras no Brasil em 2026. A estratégia consiste em transformar o bezerro macho de origem leiteira, antes considerado um “descarte” ou passivo, em um ativo lucrativo através do cruzamento com raças de corte.
Em entrevista ao Giro do Boi, o zootecnista e especialista em genética Alexandre Zadra afirma que o programa permite que o produtor gere uma nova e robusta fonte de renda vendendo bezerros pesados e valorizados pelo mercado de carne premium.
Nos Estados Unidos, a tendência já é absoluta: mais de 80% das vendas de sêmen para granjas leiteiras são de raças de corte. No Brasil, o movimento ganha força com a combinação de genômica e sêmen sexado, permitindo que o produtor escolha suas melhores vacas para repor o plantel de leite e utilize o restante do rebanho para produzir carne.
Confira:
Tecnologia e estratégia de cruzamento
A viabilidade do Beef on Dairy depende do uso inteligente das ferramentas genéticas disponíveis para não dar “tiro no escuro”:
- Sêmen sexado de fêmea: aplicado apenas nas vacas de maior potencial genético para garantir a reposição do rebanho leiteiro.
- Sêmen de corte: utilizado nas vacas de menor potencial leiteiro. O resultado é um animal F1 (meio-sangue) com excelente vigor híbrido e carcaça superior.
- Wagyu sobre Holandês: um dos cruzamentos de maior valor agregado, gerando animais que entram em programas de carne premium com alto marmoreio e remuneração diferenciada.
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O desafio tropical e o “bezerro choqueado”
Para o Brasil Central e Norte, onde predomina a raça Girolando, Zadra faz uma ressalva importante sobre a adaptação ao calor. O tradicional “bezerro choqueado” (cruzamento de Zebu/Nelore sobre vaca leiteira) ganha nova roupagem com genética apurada:
- Adaptabilidade: no calor intenso, o uso de Angus puro pode gerar animais com excesso de pelo. A solução estratégica é o uso de raças adaptadas como Senepol, Caracu ou Bonsmara, ou ainda bimestiços como Brangus e Braford.
- Nelore de ciclo curto: utilizar touros Nelore avaliados (como os do PMGZ) em vacas leiteiras produz bezerros resistentes e muito cobiçados pelo mercado de reposição de corte.
Viabilidade econômica e margens de lucro
A conta do Beef on Dairy mostra que o segredo do lucro no Brasil está na persistência até o desmame. Diferente dos EUA, onde o bezerro é vendido com poucos dias, aqui o mercado valoriza o animal de 7 meses.
- Custo de criação: criar um bezerro do nascimento aos 7 meses (desmame) custa entre R$ 1.600,00 e R$ 1.800,00.
- Valor de venda: um bezerro Beef on Dairy de qualidade, pesando cerca de 240 kg aos 7 meses, pode ser comercializado por até R$ 3.000,00.
- Lucro líquido: a operação pode render entre R$ 900,00 e R$ 1.200,00 por cabeça, transformando o que era um custo em uma margem significativa para a fazenda.
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