Capim Miyagi: quando vale a pena investir nessa forrageira? Especialista responde

Foto: Divulgação.

O Capim Miyagi (Panicum maximum) tem conquistado espaço nas fazendas brasileiras como uma das forrageiras mais produtivas da atualidade. No entanto, para o engenheiro agrônomo Marcius Gracco, da Intensifique Consultoria, o investimento nessa variedade deve ser planejado com cautela.

Respondendo à dúvida de Paulo Calenti, de Espigão D’Oeste (RO), o especialista compara o Miyagi a uma “Ferrari”: ele entrega uma performance altíssima, mas exige “pista boa” (solo fértil) e um “piloto experiente” (manejo de precisão).

Confira:

Perfil e potencial de alta performance

O Capim Miyagi destaca-se pela sua agressividade e capacidade de resposta à adubação. É uma planta de ciclo rápido que produz um volume impressionante de matéria seca por hectare.

Além do pastejo direto, sua estrutura de planta e grande volume de massa o tornam uma excelente opção para a produção de silagem, servindo como reserva estratégica de alimento.

Assim, sendo um Panicum, ele sai na frente logo nas primeiras chuvas, garantindo uma oferta de comida abundante no início do período das águas.

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O desafio do manejo: onde o produtor não pode errar

Diferente das braquiárias, que são mais tolerantes a falhas, o Capim Miyagi exige um sistema de pastejo rotacionado rigoroso.

Por crescer muito rápido, o Miyagi pode “passar do ponto” facilmente. Se o gado não entrar na hora certa, os talos engrossam e ocorre o acamamento da pastagem, o que resulta em perda de qualidade nutricional e morte de perfilhos.

Não adianta investir em sementes de Miyagi em solos fracos. Ele demanda terras de alta fertilidade e investimento constante em correção e reposição de nutrientes para expressar seu potencial.

Assim como o Mombaça e o Zuri, o Miyagi não tolera solos encharcados. Em áreas que acumulam água ou têm drenagem deficiente, a forrageira tende a morrer rapidamente.

Planejamento e estratégia: plantar direto ou testar?

Para o produtor de Rondônia, a recomendação é equilíbrio. Antes de converter toda a propriedade, é fundamental entender como a planta se comporta no microclima da fazenda.

O segredo não é ter muitos tipos de capim, mas sim a combinação certa. Enquanto o Miyagi garante o “boom” de oferta nas águas, as braquiárias (mais lentas, porém resilientes) garantem a cobertura de solo e a sobrevivência do rebanho na transição para a seca.

Vale a pena investir se você já faz o “feijão com arroz” bem feito (adubação e controle de altura). Caso sua gestão de pasto ainda seja extensiva, as braquiárias continuam sendo a opção mais segura e menos arriscada.

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