A pecuária intensiva foi o grande motor que permitiu ao Brasil ultrapassar os Estados Unidos no final de 2025, tornando-se o maior produtor de carne vermelha do mundo.
Esta revolução não aconteceu por acaso: ela é fruto de um processo de verticalização que combina genética apurada, animais de ciclo curto (abatidos antes dos dois anos e acima de 22 arrobas) e, principalmente, uma gestão estratégica baseada em dados.
Em entrevista ao Giro do Boi, o especialista Luciano Cruz, da Intensifique Consultoria, o caminho para o sucesso exige que o produtor deixe de ser apenas um “criador de bois” para se tornar um gestor de informações, focando na rentabilidade por hectare.
Confira:
A revolução dos números: do campo à gestão de dados
O primeiro passo para a intensificação rentável é o controle rigoroso da informação. Luciano destaca que a qualidade do dado coletado no curral é o que sustenta o sucesso financeiro da operação e alerta para o uso de tecnologias de identificação:
“Um dado ‘cantado’ errado no curral compromete toda a estatística. A identificação eletrônica, como os brincos com chip, reduz o erro humano, que chega a 18% em marcações a fogo tradicionais”, explica o consultor.
Além disso, ele reforça que a balança é a ferramenta soberana da pecuária intensiva. Sem medir o Ganho Médio Diário (GMD), o pecuarista vive no “achismo” e não consegue diagnosticar se a suplementação está gerando lucro real.
Comparativo de sistemas: a verticalização da produção
A transformação da pecuária brasileira fica evidente quando observamos a capacidade de produzir mais em menos espaço. Enquanto no sistema extensivo tradicional a taxa de lotação é de apenas 1 animal por hectare, a intensificação eleva esse patamar para 4 animais, chegando a impressionantes 17 animais por hectare no sistema irrigado.
Na prática, isso significa que o sistema irrigado permite produzir em apenas 120 hectares a mesma quantidade de carne que o sistema extensivo levaria 1.600 hectares para alcançar. Essa eficiência permite a verticalização da fazenda, liberando terra para outras atividades produtivas ou preservação.
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Viabilidade financeira e retorno do investimento (ROI)
Embora intensificar exija um maior aporte de capital, os números mostram que a eficiência “paga a conta” através da diluição dos custos fixos. Luciano Cruz aponta que, com um planejamento estratégico e projeção de fluxo de caixa para 300 dias, o produtor ganha segurança para investir:
“Ao produzir mais arrobas por hectare, o custo operacional fixo é diluído, aumentando a margem de lucro. Em sistemas de alta performance, como o irrigado, o retorno de todo o capital investido, incluindo o pivô, pode ocorrer em apenas 1 ano e 10 meses”, destaca Luciano.
Sustentabilidade: o ciclo curto e o meio ambiente
A pecuária intensiva consolidou-se também como uma aliada da preservação ambiental. Ao reduzir o tempo de vida do animal na fazenda, o Brasil melhora seus índices de emissões.
“Animais que vão para o abate com 20 meses emitem menos metano por quilo de carne produzida do que o gado de ciclo longo. Menos área ocupada significa maior preservação e uso inteligente dos recursos naturais”, conclui o especialista.
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