Touro Brangus em vacas Brahmanel funciona para carne premium? Especialista responde

Foto: Divulgação.

No quadro Giro do Boi Responde desta sexta-feira (9), o zootecnista Alexandre Zadra, autor do blog Crossbreeding e especialista em genética, esclareceu uma dúvida estratégica de Félix Novaes, de Goiânia (GO).

O produtor questionou se o cruzamento de touros Brangus em matrizes Brahman (Brahmanel) poderia gerar problemas de parto e se o resultado seria adequado para o mercado de carne premium.

Segundo Zadra, embora o cruzamento produza animais rústicos e pesados, a “matemática do sangue” indica que este caminho pode não ser o mais eficiente para quem busca as bonificações máximas dos protocolos de qualidade.

Confira:

A matemática do sangue e a carne premium

Para acessar os programas de carne premium no Brasil, como o Protocolo 1953 ou o selo Carne Angus, o mercado exige que o animal tenha, no mínimo, 50% de sangue taurino (europeu).

  • O cálculo: o Brangus é uma raça bimestiça composta por 5/8 Angus (62,5%) e 3/8 Zebu (37,5%).
  • O resultado: ao cruzar um reprodutor Brangus com uma matriz Brahman (100% Zebu), o bezerro terá apenas 31,25% de sangue taurino.
  • Impacto: com essa porcentagem, o animal não atinge o requisito mínimo dos principais programas de bonificação, dificultando a obtenção de prêmios por qualidade de carcaça e maciez.

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Riscos de parto e facilidade de manejo

Quanto à preocupação com partos difíceis (distocia), o especialista tranquilizou o produtor. A raça Brahman é conhecida por sua excepcional habilidade materna e conformação pélvica que favorece o parto natural.

  • Segurança: o uso do Brangus sobre matrizes Brahman adultas e de bom porte não traz riscos de problemas no parto.
  • Vantagem: o bezerro resultante será extremamente adaptado e pesado, herdando a rusticidade necessária para as condições tropicais de Goiás.

Alternativas para maximizar o lucro com carne premium

Se o foco principal do pecuarista é o mercado de carne premium, Zadra sugere buscar o animal “meio-sangue” (50% taurino). Existem dois caminhos recomendados:

  1. Via inseminação (IATF): utilizar raças europeias puras ($100%$ taurinas) como Angus ou Hereford. Para quem busca carcaças ainda mais pesadas em um sistema de cruzamento terminal, o Simental ou Charolês são opções de destaque.
  2. Via monta natural (touro a campo): para produtores que não utilizam IATF e precisam de touros que suportem o calor, a solução são os Taurinos Adaptados, como Senepol, Bonsmara ou Caracu.

Ao cruzar um touro adaptado (100% taurino) com a vaca Brahman, o bezerro será exatamente 50% taurino, garantindo alta heterose, maciez de carne e enquadramento total nos protocolos de premiação.

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